Pesquisa sobre a percepção do brasileiro sobre inteligência artificial é lançada em debate com Barroso
O Instituto Ideia lança no Brazil Forum UK, neste domingo, uma pesquisa que mediu a percepção dos brasileiros sobre o uso da inteligência artificial em diversas áreas.
O estudo é ponto central do painel “O impacto da Inteligência Artificial na vida dos brasileiros”, que conta com a participação do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal; Nina Santos, diretora institucional do Aláfia Lab e coordenadora-geral do Desinformante; Tarcízio Silva, bolsista sênior de política técnica da Fundação Mozilla); Juliana Moura Bueno, diretora de políticas públicas do Google; e Maurício Moura, CEO do Instituto Ideia e autor da pesquisa.
Foram entrevistadas 1073 pessoas de todo o Brasil sobre o impacto dessa tecnologia no emprego, no Judiciário, as eleições e no racismo. Abaixo, alguns exemplos:
– 50% dos pesquisados discordam total ou parcialmente da afirmação de que a inteligência artificial vai eliminar empregos, contra 25% nem concordam, nem discordam e 25% concordam total ou parcialmente. O dado dialoga com o fato de que 52% dos brasileiros veem que a inteligência traz mais benefícios que riscos.
– Percepção sobre o uso em eleições: 52% discordam ao menos parcialmente que candidatos que usem inteligência artificial devem ser punidos. Ao mesmo tempo, 49% discordam da afirmação de que a inteligência artificial vai aumentar desinformação e fake news. Apesar disso, a maioria (59%) admite não saber reconhecer se imagens, vídeos ou conteúdo foram gerados por IA.
– Mais brasileiros são céticos do que otimistas quanto à possibilidade de a inteligência artificial auxiliar juízes na definição de sentenças e na redação de leis.
– Racismo e desigualdade de gênero: há mais brasileiros que discordam do que concordam com as afirmações de que a inteligência artificial pode aprofundar desigualdades e discriminações. Apesar disso, a maioria (55%) se diz desconfortável ou muito desconfortável com o uso de tecnologias de reconhecimento facial para identificar suspeitos de crimes. Estudos recentes têm demonstrado que ferramentas que usam inteligência artificial na identificação de suspeitos têm viés de raça.