Israel cogita ataque limitado ao Irã sem apoio dos EUA, enquanto Trump prioriza negociações
Diante do impasse diplomático com os Estados Unidos, Israel está considerando a possibilidade de lançar um ataque mais limitado contra as instalações nucleares do Irã sem o apoio direto do governo americano. A mudança de estratégia ocorre enquanto o presidente Donald Trump opta por priorizar a via diplomática, impulsionando uma nova rodada de negociações com Teerã.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o plano israelense, inicialmente apresentado ainda durante o governo Biden, previa uma ofensiva de maior escala com participação ativa dos EUA. Agora, com a postura cautelosa de Trump, autoridades israelenses discutem alternativas que exigiriam menos envolvimento de Washington.
No sábado (20), EUA e Irã concluíram a segunda rodada de negociações em Roma e já anunciaram um novo encontro para o próximo fim de semana. O presidente Trump afirmou que, por ora, “não está com pressa” em apoiar qualquer ação militar contra Teerã.
Netanyahu endurece discurso
Apesar do avanço diplomático, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reforçou em discurso transmitido no sábado à noite que Israel está determinado a impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.
“Não vou desistir, não vou abrandar e não vou recuar — nem um milímetro”, afirmou Netanyahu. “Se não fosse por nossas ações anteriores, o Irã já teria uma bomba nuclear há 10 anos.”
Especialistas alertam, no entanto, que um eventual ataque israelense poderia apenas atrasar o programa nuclear iraniano e não impedi-lo totalmente. Além disso, tal ação aumentaria o risco de uma retaliação em larga escala por parte de Teerã, que, segundo autoridades iranianas, responderia com “força dura e inabalável”.
Riscos diplomáticos e militares
Embora Israel esteja disposto a agir de forma independente, analistas afirmam que o país ainda dependeria da assistência dos EUA para se defender em caso de escalada militar. Um ataque não autorizado também poderia gerar atritos com Trump e reduzir o apoio de Washington em fóruns internacionais.
A tensão entre os dois países ocorre em meio a uma complexa rede de interesses no Oriente Médio, com o programa nuclear iraniano permanecendo como uma das principais preocupações de segurança para Israel e potências ocidentais.