Alemanha acusa DeepSeek de violar leis de privacidade e pressiona Google e Apple a retirarem aplicativo do país

Startup chinesa de inteligência artificial enfrenta crescente isolamento na Europa por armazenar dados de usuários em servidores na China

A autoridade alemã de proteção de dados pediu que as gigantes da tecnologia Google e Apple removam de suas lojas de aplicativos o DeepSeek, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida na China, por risco à privacidade dos cidadãos europeus. O app, que cresceu rapidamente no início de 2024 ao prometer um modelo de IA poderoso e acessível, agora é alvo de sanções e bloqueios por descumprimento das normas da União Europeia sobre proteção de dados.

A comissária de proteção de dados da Alemanha, Meike Kamp, afirmou que a transferência de dados pessoais para servidores localizados na China viola o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR). Segundo ela, a DeepSeek não conseguiu demonstrar que os dados dos usuários estariam protegidos com um padrão equivalente ao europeu.

“As autoridades chinesas possuem amplos poderes de acesso aos dados sob controle de empresas locais. Isso é incompatível com os princípios da privacidade europeia”, declarou Kamp em nota oficial.

Pressão sobre Big Techs

Embora não tenha estabelecido um prazo formal, o governo alemão pede que Google e Apple analisem urgentemente a permanência do app em suas plataformas. As empresas, até o momento, não se pronunciaram.

Nos termos de uso da DeepSeek, a empresa reconhece que armazena dados “em servidores seguros localizados na República Popular da China”. O app também coleta automaticamente informações como endereço IP, sistema operacional, idioma do dispositivo e padrões de digitação.

A acusação alemã ecoa preocupações semelhantes levantadas em outros países da Europa e nos EUA, onde a presença de empresas chinesas no setor de tecnologia tem sido encarada com cautela.

Expansão sob desconfiança

Desde que foi lançada, a DeepSeek atraiu atenção ao afirmar que sua IA consegue competir com modelos como o ChatGPT com custos muito inferiores, mesmo sem acesso a chips de última geração. Contudo, o avanço rápido da ferramenta tem sido acompanhado de sérias suspeitas sobre segurança e uso de dados pessoais.

Em março, autoridades dos Estados Unidos cogitaram banir o aplicativo de dispositivos governamentais, por risco à segurança nacional. Já na Europa, Itália e Holanda adotaram restrições semelhantes — bloqueando o uso da IA em instituições públicas.

O pano de fundo geopolítico

O episódio reflete uma tensão crescente entre Europa e China em torno da regulação de tecnologias emergentes. A China tem ampliado sua presença no setor de inteligência artificial, enquanto países da União Europeia tentam reforçar legislações que garantam transparência, proteção de dados e controle soberano sobre informações sensíveis.

Além disso, o caso reacende o debate sobre o papel das plataformas ocidentais, como Google e Apple, na fiscalização de aplicativos que operam fora dos padrões europeus.