Palestina alerta para esvaziamento da ONU e rejeita novo Conselho da Paz
Autoridades palestinas veem iniciativa como ameaça ao sistema multilateral e criticam participação de Benjamin Netanyahu em órgão internacional
Autoridades da Palestina manifestaram preocupação com a criação do chamado Conselho da Paz, apontado como uma iniciativa que pode minar o papel das Nações Unidas na mediação de conflitos globais. A avaliação é de que o novo organismo corre o risco de funcionar como uma estrutura paralela, enfraquecendo instituições multilaterais já consolidadas no cenário internacional.
O tema foi abordado em reuniões diplomáticas recentes, nas quais representantes palestinos reforçaram a posição de que nenhuma nova instância deve substituir ou contornar a atuação da ONU. Segundo informações divulgadas pela Al Jazeera, a ministra das Relações Exteriores e Expatriados da Palestina, Varsen Aghabekian Shahin, levou essa preocupação a representantes do consulado do Reino Unido.
Durante o encontro, a ministra destacou que qualquer mecanismo institucional transitório voltado à promoção da paz precisa operar em complementaridade, e não em substituição, às Nações Unidas, preservando a legitimidade do sistema multilateral.
Além das críticas ao formato do conselho, a composição do novo órgão intensificou a reação palestina, sobretudo após a nomeação do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, como um de seus integrantes. De acordo com o correspondente da Al Jazeera em Gaza, Tareq Abu Azzoum, a decisão provocou indignação generalizada entre palestinos.
Segundo ele, Netanyahu é amplamente associado, pela sociedade palestina, a políticas responsáveis por mortes em massa, deslocamentos forçados e destruição da infraestrutura civil nos territórios ocupados. Nesse contexto, a presença do líder israelense no conselho levanta dúvidas profundas sobre a credibilidade da iniciativa e seus reais objetivos.
As manifestações refletem o receio de que o Conselho da Paz, ao mesmo tempo em que fragiliza a centralidade da ONU, acabe conferindo legitimidade internacional a figuras controversas, aprofundando a desconfiança palestina em relação a novos arranjos diplomáticos apresentados como instrumentos de pacificação global.