“Liberdade é obediência à Lei Universal, e nos sentimos mais livres quando obedecemos à lei de nosso próprio ser. Esta lei está dentro de nós e busca expressão através de nós”

Eu consigo me lembrar da primeira vez que ouvi a pergunta: “Quem vocês acham que é verdadeiramente livre, uma folha solta ao vento ou uma folha que se prende aos galhos de uma árvore?”. No auge da minha juventude, quando minha professora de Filosofia questionou, não me restavam dúvidas de que a primeira resposta parecesse mais prudente. “É claro que a folha entregue ao vento era mais livre” – pensei – “ela pode ir para onde quiser”.

O questionamento surgiu em meio a uma aula que falava sobre a Liberdade. Parecia-me óbvio pensar que poder ir a qualquer lugar fosse sinônimo de um ser livre. Acontece que, na sequência, minha professora explicou que a folha solta no vento, apesar de uma aparente sensação de livremente escolher para onde iria, na realidade dependia dos rumos do vento. A folha solta não escolhe, ela é escolhida.

Ao contrário, a folha que se prende aos galhos pertence à árvore. E, enquanto faz parte dela, participa de seus mistérios e por ela também é nutrida. Pertencer a algo maior faz com que a folha contribua para a harmonia do todo e se beneficie por meio de uma troca de energias.

De acordo com o exemplo, a Liberdade consistiria muito mais em saber que pertencemos ao todo, e que dele fazemos parte do que estar sujeito à própria sorte, sem poder conscientemente saber para onde estamos indo.

Esse exemplo me marcou muito na época, e depois voltei a ouvi-lo em vários outros contextos da minha caminhada filosófica. Recentemente, mais uma vez, ouvi falar sobre a Liberdade. Voltei a me impressionar com a ideia de que o ser humano possui, dentro de si, a possibilidade de participar conscientemente de um mistério da Vida: “Livre é quem verdadeiramente obedece com consciência às Leis Naturais”.

No primeiro momento, parece – como no exemplo da folha – que essa frase não faz sentido. Afinal, as leis poderiam nos restringir quando ficamos presos à ideia de obedecer a elas. Porém, depois de um pouco de reflexão, constatei mais uma vez que Liberdade e Obediência podem caminhar juntas.

Ter consciência do papel que cumprimos na Vida e ocupar o nosso lugar nos faz compreender melhor que somos regidos por uma Lei Maior, que não rege somente a nossa ação, mas a ação de cada ser na existência. Consequentemente, se cada um ocupa o seu lugar na Vida, e é respeitado em sua individualidade, esse ser é livre para verdadeiramente ser quem ele é. E você, como tem vivido sua Liberdade?

Aline Nascimento Freitas – Aluna e professora da Nova Acrópole – Lago Norte/Brasília-DF