Silveira pressiona montadora chinesa por novos investimentos e reforça estratégia brasileira para mobilidade limpa
Em reunião com a SAIC, em Xangai, ministro defende híbridos flex, cobra ampliação da infraestrutura elétrica e sinaliza que o Brasil quer mais do que linhas de montagem na transição energética.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reuniu-se nesta sexta-feira (23), em Xangai, com executivos da SAIC Motor Corporation Limited, maior montadora da China, para discutir parcerias estratégicas e ampliar o volume de investimentos no Brasil. O encontro integra a ofensiva do governo brasileiro para atrair capital estrangeiro, fortalecer a reindustrialização e aprofundar a cooperação tecnológica com empresas chinesas.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a conversa teve como foco a transição energética no setor de transportes, com ênfase na mobilidade sustentável e na consolidação de uma base industrial de baixo carbono no país. A agenda incluiu temas como desenvolvimento tecnológico, eletrificação, biocombustíveis e expansão da infraestrutura energética.
Durante a reunião, foram debatidas oportunidades de cooperação em áreas consideradas estratégicas para o futuro da indústria automotiva, como tecnologias de baterias, eficiência energética, digitalização da produção, cadeias industriais de baixo carbono e uso de biocombustíveis. A avaliação do governo é que esses pilares permitem conciliar crescimento econômico com redução de emissões.
Ao apresentar a visão brasileira para o setor, Silveira destacou que o país seguirá um caminho próprio na transição energética do transporte, combinando eletrificação e biocombustíveis. Segundo ele, a estratégia aproveita a experiência acumulada com o etanol e a diversidade da matriz energética nacional.
“O Brasil adotará um modelo que una eletrificação e biocombustíveis, apoiado em políticas públicas consolidadas e nas vantagens competitivas da nossa matriz energética”, afirmou o ministro, conforme nota divulgada pela pasta.
Silveira também ressaltou a aposta do governo na expansão de veículos híbridos flex como solução imediata para a redução de emissões, enquanto o país avança na estruturação da infraestrutura necessária para a eletrificação em larga escala.
Fábrica em Minas e busca por investimentos mais robustos
Um dos pontos centrais do encontro foi o projeto de instalação da planta industrial da SAIC em Pouso Alegre (MG), estimado em cerca de R$ 300 milhões. O ministro reafirmou o apoio do governo brasileiro à iniciativa, considerada estratégica para posicionar o país como polo regional da indústria automotiva de baixo carbono.
Além de endossar a implantação da unidade, Silveira sinalizou que o Brasil espera ampliar o nível de investimentos, defendendo uma presença industrial mais robusta. A ideia é ir além da montagem de veículos e avançar na formação de uma cadeia produtiva integrada, com maior conteúdo tecnológico e geração de valor local.
Infraestrutura como desafio central da eletrificação
O ministro chamou atenção para os gargalos de infraestrutura que ainda limitam o avanço da mobilidade elétrica no Brasil, especialmente a necessidade de ampliar a rede de eletropostos, os sistemas de recarga e as soluções de armazenamento de energia. Segundo ele, esses investimentos são fundamentais para garantir escala, segurança e sustentabilidade ao processo.
Silveira afirmou que empresas chinesas, como a SAIC, estão convidadas a participar desses aportes, inclusive por meio de parcerias com distribuidoras de energia, para acelerar a expansão da infraestrutura de forma estruturada.
A SAIC Motor é a maior montadora da China e uma das líderes globais do setor automotivo. De acordo com dados apresentados pelo Ministério de Minas e Energia, o grupo vendeu mais de 4,5 milhões de veículos em 2025, registrou receita anual superior a US$ 80 bilhões e mantém operações em mais de 170 países.
A empresa também tem presença relevante no segmento de veículos de nova energia, com mais de 1,3 milhão de unidades eletrificadas comercializadas no último ano. Para o governo brasileiro, o diálogo com grupos desse porte é parte central da estratégia de atrair investimentos capazes de impulsionar a reindustrialização e acelerar a transição energética no transporte, combinando indústria, tecnologia e infraestrutura.