Carnaval e Autismo: Rede Teia Agir promove preparação terapêutica com “Bailinho” para crianças atendidas nas unidades em Goiás
Antecipação de rotina, estímulos sensoriais e orientação familiar são as estratégias de inclusão para participação nas festividades com segurança e previsibilidade
O Carnaval é conhecido pelas cores, sons e multidões. No entanto, para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), esse cenário pode representar uma sobrecarga sensorial desafiadora. Para transformar essa realidade, a Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir), através da Rede Teia Agir, implementou uma programação especial voltada à preparação das crianças e adolescentes atendidos nas unidades em Goiás, para o período festivo, que une estratégias terapêuticas, cultura e acolhimento familiar.
Por meio de atividades que trabalham a antecipação de rotina e a autorregulação, a Rede Teia Agir utiliza o lúdico para dessensibilizar e preparar as crianças para o carnaval. O foco é garantir que o contato com a temática carnavalesca seja gradual e respeitoso, evitando crises e promovendo o bem-estar.
Conforme a Diretora Técnica da Rede Teia Agir, Nise Portela, em eventos como carnaval a criança com TEA pode apresentar desregulação e desencadear uma crise sensorial, por isso o trabalho em terapia com técnicas dirigidas a este fim é de suma importância para inclusão dessa criança nesse período. “A participação desta criança na festa cultural pode ser possível, a depender dos pré-requisitos já adquiridos, para uma permanência favorável ao longo da atividade festiva. Para isto, esta quebra de rotina pode ser trabalhada em terapia, com técnicas dirigidas a este fim”, destaca Nise.
A Diretora Técnica ressalta que a rotina é favorável e necessária dentro do contexto TEA por trazer previsibilidade ao antecipar situações e variáveis que possam acontecer nesses ambientes e como agir. “Isso pode acontecer por meio de técnicas terapêuticas, como histórias sociais, role play e esquemas visuais de ambientação ou até uma visita ao local antes da data definitiva”, explica.
Bailinho Teia
O bailinho que a Rede Teia Agir realizará entre os dias 10 e 12 de fevereiro para as crianças atendidas, nas unidades em Goiás, configura-se como uma importante estratégia de antecipação e dessensibilização. A proposta permite que as crianças vivenciem atividades típicas do contexto carnavalesco em um ambiente já conhecido, com menos estímulos sensoriais e com profissionais capacitados que poderão mediar o engajamento e a participação delas.
Dessa forma, a iniciativa contribui para a preparação gradual das crianças para eventos culturais mais amplos, favorecendo a regulação sensorial, a previsibilidade e a ampliação das possibilidades de inclusão social de maneira segura e respeitosa às suas necessidades.
“O ganho dessas oportunidades de aprendizado social vai para toda a vida. Pessoas com TEA precisam se expor a situações do ambiente progressivamente para generalizar tudo que é trabalhado em ambiente clínico. Através da observação e imitação do que acontece no convívio social, as crianças copiam estes comportamentos tendo oportunidades de aprender com o ambiente sem suporte direto a médio e longo prazo”, reforça a diretora Nise Portela.
A Rede Teia Agir reforça que esse suporte também se estende aos pais e cuidadores, com a orientação parental que auxilia nesses momentos de preparação para as festividades, como o carnaval. “Os pais costumam se sentir excluídos por muitas vezes não conseguirem partilhar desses momentos sociais e culturais, devido às dificuldades dos seus filhos. Esta atividade é uma oportunidade de inclusão não só para as crianças, como para os cuidadores também”, finaliza a Diretora Técnica.
É importante ressaltar que a prática de aproximação cultural promovida pela Rede Teia Agir não se restringe ao Carnaval, sendo replicada em outras datas comemorativas ao longo do ano com o objetivo de promover experiências significativas que favoreçam o desenvolvimento das habilidades sociais e emocionais das crianças e adolescentes atendidos, ampliando sua participação em contextos culturais de forma planejada, segura e inclusiva.