Psicóloga explica sobre vulnerabilidade de crianças diante das telas
No Dia Internacional da Internet Segura, especialista traz ainda orientações para os pais
Levantamento da TIC Kids Online Brasil (2024), realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e Cetic.br, mostrou que 93% das crianças e adolescentes brasileiros de 9 a 17 anos usam a internet, o que representa 24,5 milhões de pessoas. O estudo, referente ao período entre 2015 e 2024, destaca que entre esses jovens usuários, 83% têm perfis em plataformas como WhatsApp, Instagram, TikTok e YouTube. Considerando as crianças de 9 a 10 anos que estão na internet, 60% têm conta em pelo menos uma rede social.
Tais dados servem de alerta aos pais neste Dia Internacional da Internet Segura, celebrado este ano em 10 de fevereiro. A psicóloga Ana Beatriz Sahium comenta sobre o por quê a internet desperta tanta a atenção das crianças e adolescentes. “A internet, a tela, a tecnologia, vídeos rápidos liberam a dopamina no cérebro infantil, que é o hormônio do prazer. Vendo aquilo, eu tenho um prazer imediato, não me gera frustração. Então, o meu cérebro vai querer repetir aquilo sempre que possível”, diz.
A especialista destaca também a vulnerabilidade desse público. “As crianças e os adolescentes são mais vulneráveis pelo processo do prazer em um cérebro imaturo. Nós adultos conseguimos fazer a mediação, dividir tarefas e saber exatamente a hora que eu posso ter o prazer ali na tela e a hora que eu preciso das minhas obrigações. A criança fica mais vulnerável porque o cérebro imaturo vai querer sempre buscar o prazer”, explica.
Uso adequado
Ana Beatriz Sahium comenta que há estudos que desaconselham crianças usar a internet. “Existe um pesquisador americano, que é especialista nisso, e diz que o ideal seria não liberar o uso de internet, o uso da tecnologia, antes dos 12 anos, e que nenhuma criança deveria ter celular antes dos 15. Porém, essas pesquisas foram feitas em escolas nos Estados Unidos, não está padronizado para o Brasil”, pontua.
Trazendo para a realidade brasileira, a especialista orienta que é possível fazer concessões comedidas a partir de 6 anos, de desenhos com estimulação. “Menor de 12 anos não tem necessidade de um celular próprio e, acima dos 12, deve-se sempre estar vigilante. Existem aplicativos que os pais conseguem acessar o que os filhos veem no celular”, diz. Ela também recomenda que este uso seja condicionado a ser após o cumprimento das obrigações diárias, como fazer tarefas. Os pais também devem limitar o uso nesta fase e liberar o uso para questões necessárias e positivas.