Petrobras fecha 2025 com avanço no pré-sal, recorde de exportações e alta nas importações de diesel
Relatório da estatal mostra crescimento de 10,8% na produção, embarques externos em patamar histórico e pressão sobre o refino, com aumento expressivo nas compras de combustíveis no exterior
A Petrobras encerrou 2025 com crescimento na produção de petróleo e gás natural, exportações em nível recorde e aumento relevante nas importações de derivados. O desempenho foi registrado mesmo em um cenário internacional de preços mais baixos do petróleo. Os dados constam em relatório divulgado em 10 de fevereiro e detalham tanto a expansão operacional da companhia quanto os desafios no abastecimento interno.
Pré-sal impulsiona produção e sustenta crescimento
A produção total da Petrobras alcançou 2,990 milhões de barris de óleo equivalente por dia (Mboe) em 2025, alta de 10,8% em relação ao ano anterior. O principal motor desse avanço foi o pré-sal, cuja produção atingiu 2,020 milhões de boe/dia, crescimento de 11,4%.
Segundo a empresa, o resultado reflete a ampliação da capacidade de plataformas do tipo FPSO, maior eficiência operacional, redução de perdas com paradas para manutenção na Bacia de Campos e entrada de novas unidades produtivas. Ao longo do ano, a estatal também colocou em operação 44 novos poços marítimos, reforçando a estratégia de expansão e manutenção dos níveis de produção.
O avanço consolidou o pré-sal como eixo central da performance da companhia, elevando a média diária do sistema e ampliando a disponibilidade tanto para o mercado doméstico quanto para exportação.
China concentra mais da metade das exportações
As exportações de petróleo atingiram 765 mil barris por dia em 2025 — um crescimento de 27,1% frente ao ano anterior e o maior volume já registrado pela companhia.
A Ásia manteve-se como principal destino do petróleo brasileiro. A China respondeu sozinha por 53% dos embarques. Europa (13%), Índia (12%), América Latina (8%) e Estados Unidos (3%) aparecem na sequência. A forte concentração no mercado chinês reforça o peso estratégico do país asiático nas relações comerciais da estatal.
Mesmo com preços internacionais menos favoráveis, a Petrobras ampliou sua presença no mercado externo e consolidou o petróleo como importante fonte de geração de receita.
Mercado interno cresce, mas muda perfil de consumo
No Brasil, a venda de derivados cresceu 1,6% em 2025. O avanço foi puxado principalmente pela gasolina, com alta de 2%, e pelo diesel, que registrou crescimento de 5,2%.
Em contrapartida, as vendas de óleo combustível recuaram 28,6%. A Petrobras atribui a queda à migração de indústrias das regiões Norte e Nordeste para o uso de gás natural, indicando uma transição energética parcial no setor industrial dessas áreas.
O querosene de aviação (QAV) também apresentou desempenho positivo, com alta de 6,4% nas vendas — o melhor resultado em seis anos, segundo a estatal.
Importações sobem com limitações no refino
Apesar do crescimento da produção de petróleo, o relatório mostra aumento significativo nas importações de derivados. As compras externas de gasolina subiram 18%, enquanto as de diesel avançaram 91,7% em 2025.
De acordo com a empresa, o movimento está associado às paradas programadas para manutenção em refinarias e à limitação estrutural do parque de refino nacional, que não é capaz de atender integralmente à demanda interna.
O dado evidencia um descompasso entre a capacidade de produção de petróleo bruto — em expansão — e o processamento doméstico de combustíveis, que depende de ajustes operacionais e investimentos contínuos.
Aviação sustentável estreia no Galeão
Entre os marcos do ano, a Petrobras realizou as primeiras entregas de combustível sustentável de aviação (SAF) no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. O volume de 3 mil metros cúbicos abasteceu distribuidoras e corresponde a aproximadamente um dia de consumo dos aeroportos cariocas.
A iniciativa insere a estatal no movimento global de transição energética no setor aéreo, ainda que em escala inicial.
Resiliência em cenário adverso
Para a diretora de Exploração e Produção, Sylvia Anjos, os resultados demonstram solidez operacional mesmo diante de um ambiente internacional menos favorável.
Segundo ela, a companhia superou as previsões de produção, reforçou a resiliência da área de exploração e produção e registrou adição significativa de reservas provadas ao longo do ano.
O balanço de 2025 revela um quadro de expansão consistente no pré-sal e no mercado externo, acompanhado por desafios estruturais no refino e no abastecimento interno — elementos que seguem no centro do debate sobre a estratégia energética brasileira.