Projeto internacional investiga base genética do tabagismo em latino-americanos

Projeto internacional investiga base genética do tabagismo em latino-americanos

Iniciativa liderada por pesquisadores da Unifesp e da Universidade Yale quer ampliar diversidade nos estudos genômicos e convida grupos brasileiros a integrar rede colaborativa

Um projeto científico conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Yale University, nos Estados Unidos, está voltado para um desafio ainda pouco explorado: compreender como fatores genéticos influenciam o hábito de fumar em populações latino-americanas.

Embora a literatura científica já indique que a genética pode responder por 40% a 75% da propensão ao tabagismo, a maior parte dos estudos foi realizada com indivíduos de ascendência europeia. Essa limitação compromete a compreensão global do problema e pode reduzir a aplicabilidade dos achados em populações com maior diversidade genética, como as da América Latina.

Foco na diversidade genética

A pesquisa é liderada por Rafaella Ormond, doutoranda da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) e bolsista da FAPESP, sob orientação do professor Marcos Santoro, em colaboração com cientistas da Yale University. Resultados preliminares foram publicados na revista European Neuropsychopharmacology.

O objetivo central é mapear a arquitetura genética de 11 fenótipos relacionados ao tabagismo — características observáveis associadas ao comportamento de fumar. Para isso, os pesquisadores estão conduzindo metanálises de estudos de associação genômica ampla (GWAS) a partir de dados de diferentes coortes latino-americanas.

Segundo os autores, apesar dos avanços recentes na genética comportamental, populações latino-americanas ainda são sub-representadas em estudos genômicos. A iniciativa busca reduzir essa lacuna, considerando a complexa ancestralidade genética da região, marcada por contribuições indígenas, africanas e europeias.

Rede internacional e padronização de dados

O estudo já reúne coortes de 12 países, incluindo o Brasil. Para garantir a comparabilidade das análises, foi desenvolvido um plano padronizado de harmonização de fenótipos e de processamento de dados genéticos, com fluxos de trabalho específicos para lidar com a diversidade populacional.

A proposta agora é ampliar a participação brasileira na pesquisa. “Buscamos expandir a inclusão de coortes do Brasil. Convidamos pesquisadores que possuam dados de genotipagem ou sequenciamento e informações fenotípicas relacionadas ao tabagismo a integrarem essa colaboração”, afirma Ormond.

O projeto teve origem durante o estágio de pesquisa da doutoranda na Yale University, realizado com apoio da FAPESP.

Como participar

Pesquisadores interessados em colaborar devem entrar em contato com a equipe por meio do e-mail: ormond.rafaella@unifesp.br
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A expectativa é que a ampliação da base de dados latino-americana contribua para uma compreensão mais precisa dos fatores biológicos associados ao tabagismo e, no futuro, apoie estratégias de prevenção e tratamento mais adequadas às especificidades genéticas da população da região.