Biossensor acelera identificação de plantas com potencial para bioinseticidas
Tecnologia desenvolvida na UFSCar reduz custos e simplifica a triagem de extratos vegetais capazes de inibir enzima-chave do sistema nervoso de insetos-praga.
Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos desenvolveram um biossensor que permite identificar, de forma rápida e econômica, compostos naturais com potencial para o controle de insetos-praga. A ferramenta detecta inibidores da enzima acetilcolinesterase (AChE), fundamental para o funcionamento do sistema nervoso dos insetos e alvo estratégico na busca por novos bioinseticidas.
O estudo contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e foi realizado em parceria entre o Laboratório de Produtos Naturais e o Laboratório de Bioanalítica e Eletroanalítica da universidade. Os resultados foram publicados na revista científica Analytical Methods.
Como funciona o biossensor
O dispositivo é baseado em um eletrodo de carbono impresso, modificado com nanopartículas de ouro recobertas por glutationa. Essa estrutura cria uma superfície adequada para a fixação da AChE, garantindo a estabilidade da enzima e a confiabilidade das medições.
Segundo o pesquisador Sean dos Santos Araújo, responsável pelo trabalho, a imobilização correta do componente biológico foi um dos principais desafios do projeto. “Era essencial manter a atividade da enzima para que o sensor respondesse com precisão”, explica. A modificação com nanopartículas de ouro permitiu intensificar o sinal eletroquímico e assegurar leituras consistentes da atividade da AChE.
Testes com extratos vegetais
Para validar a tecnologia, o biossensor foi inicialmente testado com azadiractina, composto natural conhecido por inibir a AChE e extraído da planta Azadirachta indica. Após resultados positivos, a equipe ampliou os ensaios para extratos de outras espécies vegetais.
As análises incluíram plantas como Picramnia riedelli, Picramnia ciliata e Toona ciliata. Os extratos apresentaram taxas de inibição da enzima entre 41% e 55%, indicando potencial relevante para o desenvolvimento de biopesticidas.
Alternativa mais simples e barata
Uma das principais vantagens do biossensor eletroquímico é o custo reduzido e a facilidade de aplicação, especialmente quando comparado a métodos tradicionais de triagem, como a cromatografia de bioafinidade, que exige equipamentos caros e maior complexidade operacional.
Com a nova ferramenta, pesquisadores podem acelerar a prospecção de produtos naturais para o controle de pragas agrícolas, abrindo caminho para soluções mais sustentáveis e menos dependentes de inseticidas sintéticos.