Gleisi Hoffmann sobe o tom contra Nikolas Ferreira por voos em jato de banqueiro: “O escândalo é de vocês”
Presidente do PT aponta omissão de gastos ao TSE e liga campanha bolsonarista de 2022 a Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A deputada federal e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, cobrou explicações públicas do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o uso de um jato executivo ligado ao empresário Daniel Vorcaro durante a campanha presidencial de 2022. Segundo Gleisi, a utilização da aeronave para a caravana “Juventude pelo Brasil” não teria sido devidamente declarada à Justiça Eleitoral, configurando uma omissão de contribuição.
A aeronave em questão, um Embraer 505 Phenom 300, pertence à empresa Prime You — grupo que contava com Vorcaro em seu quadro societário na época. Entre 20 e 28 de outubro de 2022, o jato percorreu nove estados e o Distrito Federal, focando em regiões onde Lula havia vencido no primeiro turno.”Cinismo e falcatruas”Em postagem contundente nas redes sociais, Gleisi vinculou o uso do avião a uma rede de influências que envolve o Banco Master e lideranças religiosas da Igreja Lagoinha.“Foram dez dias voando pelo país nas asas do Master.
Esse pessoal ainda tem o cinismo de querer jogar no colo dos outros esse escândalo financeiro. Quem fechou os olhos para as falcatruas no Master foi o presidente do BC de Bolsonaro, Roberto Campos Neto”, afirmou a parlamentar.Gleisi ainda destacou que as investigações sobre o banco avançaram apenas sob a gestão atual: “A verdade é que foi somente no governo Lula que o escândalo foi investigado e desvendado pela PF”.
As evidências e a defesaRegistros de monitoramento aéreo (sinais ADS-B) confirmam que o jato esteve nos mesmos locais e datas da agenda oficial de Nikolas Ferreira. Imagens da época mostram o deputado ao lado de pastores e influenciadores cristãos em frente à aeronave.O que dizem os envolvidos:LadoPosicionamentoNikolas FerreiraConfirmou o uso do avião, mas negou qualquer relação com Daniel Vorcaro ou com o Banco Master.
Defesa de VorcaroSustenta que o jato não pertence ao banqueiro e que as operações ocorreram via táxi aéreo.Prime YouAfirmou que os voos foram fretados nos moldes tradicionais do mercado e que mantém sigilo sobre os dados dos clientes.O caso levanta questionamentos sobre a transparência dos gastos na reta final do segundo turno de 2022, especialmente quanto ao financiamento logístico de lideranças que atuaram como cabos eleitorais de Jair Bolsonaro.