Equidade de gênero em ciência e tecnologia ainda avança lentamente, apesar do protagonismo feminino na área

Dados mostram desigualdade persistente na formação e no mercado de trabalho, enquanto pesquisas lideradas por mulheres transformam a ciência. Especialista em Gestão de Pessoas alerta para importância do papel de empresas e organizações na transformação desse cenário
A presença feminina nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) ainda enfrenta desafios estruturais que começam na formação acadêmica e se estendem ao mercado de trabalho. A trajetória feminina nessas áreas é impactada por diversos fatores, como a falta de referências, vieses inconscientes em processos seletivos, menor presença em cargos de liderança e desafios relacionados à conciliação entre carreira e responsabilidades pessoais.
Para a CEO da Acelere Gestão de Pessoas, Lorranny Sousa, as organizações têm papel central na mudança desse cenário. “As empresas precisam rever processos de recrutamento, desenvolvimento e promoção para garantir igualdade de oportunidades. Inclusão não é apenas contratar, mas criar ambientes onde essas profissionais possam crescer e liderar”, destaca.
Segundo a especialista, fatores culturais e sociais ajudam a explicar esse cenário. Desde a infância, meninos costumam ser incentivados a explorar e experimentar, enquanto meninas são direcionadas a atividades associadas ao cuidado. Ao longo da vida profissional, surgem outros obstáculos, como os desafios relacionados à conciliação entre carreira e responsabilidades familiares, incluindo a maternidade e a sobrecarga da jornada dupla, em que muitas mulheres acumulam trabalho, família e responsabilidades domésticas.
Além disso, Lorranny acrescenta que o debate sobre equidade nas áreas de tecnologia e inovação também precisa considerar a diversidade de funções que compõem esse ecossistema dentro das empresas. Embora as carreiras técnicas costumem concentrar o debate, mulheres também têm papel estratégico em áreas como marketing, recursos humanos, produto, dados e gestão.
“Quando falamos em equidade em tecnologia, não estamos falando apenas de programadoras ou engenheiras. A inovação acontece em equipes multidisciplinares, que envolvem marketing, dados, produto, gestão e recursos humanos. Garantir diversidade nesses ambientes é fundamental para que mulheres com diferentes perspectivas façam parte das decisões”, explica.
Desafio global
Dados da UNESCO (2024) indicam que mulheres representam cerca de um terço da comunidade científica mundial e apenas 35% dos estudantes em cursos de STEM. Já o Global Gender Gap Report 2024, do Fórum Econômico Mundial, aponta que elas correspondem a 28,2% da força de trabalho nessas áreas. No Brasil, a desigualdade aparece ainda na formação – informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de 2023, mostram que 74% dos ingressantes em cursos de STEM são homens, enquanto 26% são mulheres. No mercado de tecnologia, levantamento do Observatório Softex (2024) indica que apenas 19,2% dos especialistas em tecnologia no país são mulheres.
Para a CEO da Acelere, organizações que adotam políticas estruturadas de diversidade tendem a desenvolver equipes mais criativas e capazes de resolver problemas complexos, características que podem ser essenciais na superação desses desafios. “Nesse contexto, ampliar a presença feminina nas áreas de STEM se torna não apenas uma pauta social, mas também uma estratégia de competitividade e inovação”, completa Lorranny.
Um caminho que já está sendo trilhado
Apesar das barreiras históricas, brasileiras têm protagonizado pesquisas com impacto internacional, mostrando como a diversidade no ambiente científico pode gerar grandes avanços na medicina. Alguns exemplos envolvem a neurocientista Tatiana Coelho Sampaio, com resultados palpáveis nos novos tratamentos para pessoas com paraplegia e tetraplegia, ou a epidemiologista goiana Cecília Turchi, que teve papel fundamental na identificação da relação entre o vírus Zika e a microcefalia durante a epidemia que atingiu o Brasil entre 2015 e 2016, uma das descobertas científicas mais relevantes da saúde pública recente no país.
Mesmo diante dos desafios, no Brasil também temos iniciativas voltadas à formação e ao incentivo de meninas e mulheres nas áreas de STEM, como Programa Meninas Digitais, da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), que promove oficinas; o Programa Futuras Cientistas, do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que promove imersões científicas e atividades de formação para alunas da rede pública; e os programas como o Goianas na Ciência e Inovação, do Governo do Estado, e o Goianas S.A., das Escolas do Futuro de Goiás, também incentivam projetos liderados por mulheres nas áreas de ciência, tecnologia e empreendedorismo.
Para Lorranny, esses exemplos refletem avanços importantes e apontam a direção que ainda precisa ser fortalecida. No ambiente corporativo, ela defende o enfrentamento de estigmas e a adoção de estratégias que ampliem a presença e a carreira de mulheres nas áreas científica e tecnológica. “Investir em equidade é investir no futuro. Quanto mais diversidade tivermos nas equipes, maior será nossa capacidade de inovar e gerar impacto positivo para a sociedade”, conclui.

Dados mostram desigualdade persistente na formação e no mercado de trabalho, enquanto pesquisas lideradas por mulheres transformam a ciência. Especialista em Gestão de Pessoas alerta para importância do papel de empresas e organizações na transformação desse cenário
A presença feminina nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) ainda enfrenta desafios estruturais que começam na formação acadêmica e se estendem ao mercado de trabalho. A trajetória feminina nessas áreas é impactada por diversos fatores, como a falta de referências, vieses inconscientes em processos seletivos, menor presença em cargos de liderança e desafios relacionados à conciliação entre carreira e responsabilidades pessoais.
Para a CEO da Acelere Gestão de Pessoas, Lorranny Sousa, as organizações têm papel central na mudança desse cenário. “As empresas precisam rever processos de recrutamento, desenvolvimento e promoção para garantir igualdade de oportunidades. Inclusão não é apenas contratar, mas criar ambientes onde essas profissionais possam crescer e liderar”, destaca.
Segundo a especialista, fatores culturais e sociais ajudam a explicar esse cenário. Desde a infância, meninos costumam ser incentivados a explorar e experimentar, enquanto meninas são direcionadas a atividades associadas ao cuidado. Ao longo da vida profissional, surgem outros obstáculos, como os desafios relacionados à conciliação entre carreira e responsabilidades familiares, incluindo a maternidade e a sobrecarga da jornada dupla, em que muitas mulheres acumulam trabalho, família e responsabilidades domésticas.
Além disso, Lorranny acrescenta que o debate sobre equidade nas áreas de tecnologia e inovação também precisa considerar a diversidade de funções que compõem esse ecossistema dentro das empresas. Embora as carreiras técnicas costumem concentrar o debate, mulheres também têm papel estratégico em áreas como marketing, recursos humanos, produto, dados e gestão.
“Quando falamos em equidade em tecnologia, não estamos falando apenas de programadoras ou engenheiras. A inovação acontece em equipes multidisciplinares, que envolvem marketing, dados, produto, gestão e recursos humanos. Garantir diversidade nesses ambientes é fundamental para que mulheres com diferentes perspectivas façam parte das decisões”, explica.
Desafio global
Dados da UNESCO (2024) indicam que mulheres representam cerca de um terço da comunidade científica mundial e apenas 35% dos estudantes em cursos de STEM. Já o Global Gender Gap Report 2024, do Fórum Econômico Mundial, aponta que elas correspondem a 28,2% da força de trabalho nessas áreas. No Brasil, a desigualdade aparece ainda na formação – informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de 2023, mostram que 74% dos ingressantes em cursos de STEM são homens, enquanto 26% são mulheres. No mercado de tecnologia, levantamento do Observatório Softex (2024) indica que apenas 19,2% dos especialistas em tecnologia no país são mulheres.
Para a CEO da Acelere, organizações que adotam políticas estruturadas de diversidade tendem a desenvolver equipes mais criativas e capazes de resolver problemas complexos, características que podem ser essenciais na superação desses desafios. “Nesse contexto, ampliar a presença feminina nas áreas de STEM se torna não apenas uma pauta social, mas também uma estratégia de competitividade e inovação”, completa Lorranny.
Um caminho que já está sendo trilhado
Apesar das barreiras históricas, brasileiras têm protagonizado pesquisas com impacto internacional, mostrando como a diversidade no ambiente científico pode gerar grandes avanços na medicina. Alguns exemplos envolvem a neurocientista Tatiana Coelho Sampaio, com resultados palpáveis nos novos tratamentos para pessoas com paraplegia e tetraplegia, ou a epidemiologista goiana Cecília Turchi, que teve papel fundamental na identificação da relação entre o vírus Zika e a microcefalia durante a epidemia que atingiu o Brasil entre 2015 e 2016, uma das descobertas científicas mais relevantes da saúde pública recente no país.
Mesmo diante dos desafios, no Brasil também temos iniciativas voltadas à formação e ao incentivo de meninas e mulheres nas áreas de STEM, como Programa Meninas Digitais, da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), que promove oficinas; o Programa Futuras Cientistas, do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que promove imersões científicas e atividades de formação para alunas da rede pública; e os programas como o Goianas na Ciência e Inovação, do Governo do Estado, e o Goianas S.A., das Escolas do Futuro de Goiás, também incentivam projetos liderados por mulheres nas áreas de ciência, tecnologia e empreendedorismo.
Para Lorranny, esses exemplos refletem avanços importantes e apontam a direção que ainda precisa ser fortalecida. No ambiente corporativo, ela defende o enfrentamento de estigmas e a adoção de estratégias que ampliem a presença e a carreira de mulheres nas áreas científica e tecnológica. “Investir em equidade é investir no futuro. Quanto mais diversidade tivermos nas equipes, maior será nossa capacidade de inovar e gerar impacto positivo para a sociedade”, conclui.