Modelo multidisciplinar da Rede Teia Agir, em Goiás, acelera o desenvolvimento de crianças com autismo
Metodologia ABA promove integração de especialidades da saúde e a personalização do tratamento
“Mamãe, eu te amo”, essas foram as primeiras palavras do Bernardo, de três anos, que tem autismo e é atendido pela Rede Teia Agir, em Goiânia. “Eu não esperava e estamos extremamente gratos por esse momento”, comemorou a mãe Hadassa Raquel Lima, que realiza o tratamento de seu filho há um ano na Rede Teia Agir.
Nos últimos anos, o tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) evoluiu de sessões de terapias isoladas para um ecossistema de cuidado integrado. Na linha de frente dessa transformação, a Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir), através das clínicas Rede Teia Agir, consolida um modelo multidisciplinar que utiliza a ciência como base de protocolos que potencializam a resposta terapêutica de crianças e adolescentes.
Conforme a diretora técnica assistencial da Rede Teia Agir, Nise Portela, os protocolos aplicados são regidos pela Applied Behavior Analysis (ABA), metodologia reconhecida internacionalmente que orienta desde a definição de metas mensuráveis até a análise funcional do comportamento. “A integração ocorre por meio de Plano Terapêutico Singular (PTS) estruturado em metas comportamentais, reuniões clínicas sistemáticas, supervisão assistencial baseada em dados, registros padronizados de evolução e alinhamentos técnicos interdisciplinares. Assim, cada profissional atua em sua especialidade (medicina, psicologia, fonoaudiologia, nutrição, etc), mas as metas são interdependentes e a linguagem técnica é unificada”, explica Nise.
Para Hadassa, a metodologia aplicada e o acompanhamento multidisciplinar no tratamento de Bernardo é o que tem acelerado o desenvolvimento de seu filho. “Toda equipe da Rede Teia Agir vem me ajudando muito. Meu filho, pela primeira vez, verbalizou e dentro do autismo a fala era onde ele tinha mais dificuldade. Diante dessa verbalização dele, eu fiquei muito emocionada e foi uma comemoração muito grande, foi uma das maiores realizações desde o nascimento dele”, lembrou.
Metodologia
A metodologia aplicada acelera o desenvolvimento de habilidades funcionais, promove autonomia, funcionalidade e qualidade de vida para crianças e adolescentes atendidos pela Rede Teia Agir. No entanto, é preciso que as famílias estejam engajadas e participem do tratamento. “A ABA depende da repetição e generalização em ambiente natural. Quando não há coparticipação familiar, os ganhos ficam restritos ao setting clínico”, enfatiza Nise Portela.
A diretora técnica assistencial da Rede Teia Agir ainda completa: “Habilidades aprendidas na clínica precisam se transferir para casa, escola e comunidade”. Nise Portela reforça que quando o modelo multidisciplinar estruturado em ABA é aplicado com fidelidade e existe a participação das famílias, é possível observar resultados significativos tanto na criança quanto nos familiares.
“Evidenciamos na criança o aumento de comunicação funcional, redução de comportamentos disruptivos, desenvolvimento de autonomia, ampliação de repertório social, melhor adaptação escolar e maior independência em atividades de vida diária. Na família, observamos a redução do estresse parental, maior compreensão do funcionamento comportamental da criança, empoderamento para manejo em casa, participação ativa no processo terapêutico e uma percepção objetiva da evolução por meio de dados”, destaca a diretora da Rede Teia Agir.
Resultados e desafios
Os resultados do modelo multidisciplinar e aplicação da metodologia ABA são avaliados pela coleta sistemática de dados, como a frequência, duração, latência, porcentagem de acerto, análise gráfica da evolução, avaliações periódicas de repertório, indicadores de generalização e manutenção. “Essa avaliação permite ajustes contínuos conforme os dados demonstram evolução ou estagnação. No contexto do SUS, isso é essencial para justificar a continuidade terapêutica, garantir uso eficiente de recursos públicos e demonstrar impacto funcional real”, explica Nise Portela.
Como principais desafios, Nise reforça que a adesão parental inconsistente, generalização de comportamentos e o não monitoramento preciso dos processos terapêuticos podem prejudicar o progresso das crianças. Mas, para superar tais questões, há estratégias estruturadas pela Rede Teia Agir. “A orientação parental estruturada, reuniões devolutivas com metas claras e mensuráveis, grupos psicoeducativos para familiares, supervisão técnica contínua, investimento em capacitação interna, grupos de estudo permanentes, além de atualizações baseadas em evidências científicas”.