Calorões, insônia e mudanças de humor: como enfrentar os desafios da menopausa
Tratamentos hormonais, alternativas terapêuticas e hábitos saudáveis podem ajudar a melhorar o bem-estar
Suor noturno, noites mal dormidas, calorões e mudanças de humor são alguns dos sintomas que muitas mulheres passam a perceber com a chegada da menopausa. A fase marca o encerramento do ciclo reprodutivo feminino e é resultado da redução progressiva da produção de hormônios pelos ovários.
Segundo a ginecologista e obstetra Amanda Roepke Tiedje, especialista em Ultrassom em Ginecologia e Obstetrícia e docente da disciplina de saúde da mulher no Idomed, em Cáceres (MT), a queda hormonal é responsável por diversas transformações no organismo.
“Os ovários passam a produzir cada vez menos hormônios, principalmente estrogênio e progesterona, e essa redução desencadeia muitas das mudanças que as mulheres percebem nessa fase”, explica.
Entre os sintomas mais comuns estão as ondas de calor, conhecidas como fogachos, sudorese noturna, alterações do sono, irritabilidade e ansiedade. Também podem surgir ressecamento vaginal, desconforto nas relações sexuais e diminuição da libido. Além dos efeitos imediatos, o período também pode trazer mudanças metabólicas, como maior tendência ao acúmulo de gordura abdominal, e aumento do risco de perda de massa óssea.
“A intensidade desses sintomas pode variar muito. Algumas mulheres têm manifestações leves, enquanto outras apresentam impacto significativo na qualidade de vida”, afirma a especialista.
Reposição hormonal
Para mulheres que apresentam sintomas mais intensos, a terapia hormonal pode ser uma das estratégias de tratamento. O objetivo é reduzir os efeitos da queda hormonal e melhorar o bem-estar durante essa fase da vida.
“Quando bem indicada e acompanhada por médico, a reposição hormonal pode trazer melhora significativa dos fogachos, do sono e da qualidade de vida. Também contribui para a saúde vaginal e sexual e ajuda na proteção óssea”, explica Amanda.
Segundo a médica, atualmente há mais segurança em relação ao tratamento quando ele é iniciado na chamada “janela de oportunidade”, que geralmente corresponde ao período antes dos 60 anos ou até dez anos após o início da menopausa, desde que não existam contraindicações.
Antes de iniciar a terapia, no entanto, é fundamental realizar uma avaliação individualizada da paciente. Entre os fatores analisados estão idade, tempo desde a menopausa, histórico pessoal e familiar de câncer — especialmente de mama e endométrio —, ocorrência de trombose ou doenças cardiovasculares e a presença de condições como hipertensão, diabetes ou obesidade.
Com base nessas informações e em exames como mamografia e avaliação clínica geral, o médico pode definir se a reposição hormonal é segura e qual tipo de tratamento é mais adequado, incluindo a escolha do hormônio e da via de administração.
Alternativas
Nem todas as mulheres podem ou desejam utilizar terapia hormonal. Nesses casos, existem outras abordagens terapêuticas que podem ajudar a controlar os sintomas da menopausa.
Entre elas estão medicamentos não hormonais que podem reduzir os fogachos, como alguns antidepressivos em baixa dose ou a gabapentina. Para sintomas genitais, como ressecamento vaginal, podem ser indicados hidratantes, lubrificantes e terapias locais não hormonais. Em situações específicas, também podem ser utilizados recursos como fisioterapia pélvica ou tratamentos voltados para a chamada síndrome geniturinária da menopausa.
Além das opções médicas, hábitos de vida saudáveis têm papel importante na redução dos sintomas e na preservação da saúde ao longo do envelhecimento.
A prática regular de atividade física, especialmente exercícios aeróbicos e de força, ajuda a melhorar o humor, o sono e a saúde óssea. Uma alimentação equilibrada, rica em cálcio, proteínas e vegetais, também contribui para o bem-estar nessa fase.
Manter o peso saudável, reduzir o consumo de álcool e cafeína, cuidar da qualidade do sono e adotar estratégias de redução do estresse, como meditação e exercícios de respiração, também podem ajudar a amenizar os sintomas.
A orientação de especialistas é que mulheres que começam a perceber mudanças no corpo procurem acompanhamento médico para esclarecer dúvidas e avaliar as opções de cuidado disponíveis. A abordagem individualizada permite escolher as estratégias mais adequadas para cada caso e contribui para que a menopausa seja vivida com mais qualidade de vida e bem-estar.