Ex-atletas, hoje gestoras do MEsp, atuam para abrir caminhos para as mulheres no esporte

De protagonistas no esporte à gestão pública, as três pioneiras trabalham para ampliar oportunidades para meninas e mulheres em todo o Brasil

O Ministério do Esporte (MEsp) conta em sua equipe com estrelas das quadras e dos campos que marcaram a história do esporte brasileiro e que, na gestão pública, atuam no desenvolvimento de políticas públicas para ampliar a participação de mulheres no esporte, da base ao alto rendimento.

Entre essas gestoras estão Iziane Marques, secretária nacional de Excelência Esportiva, Mariléia dos Santos, a Michael Jackson, assessora da Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo de Futebol Feminino FIFA 2027 e Miraildes Maciel Mota, diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino.

Com carreiras consolidadas em diferentes modalidades, elas acumulam conquistas nacionais e internacionais e hoje atuam na formulação e no aprimoramento de políticas públicas voltadas à inclusão, permanência e desenvolvimento de atletas em todo o país.

É nesse cenário que ocorre, por exemplo, a preparação do Brasil para sediar a Copa do Mundo de Futebol Feminino FIFA 2027 e diversos programas e ações voltados ao fortalecimento do esporte feminino como política pública, com potencial de legado para diferentes modalidades.

À frente da Secretaria Nacional de Excelência Esportiva, Iziane Marques atua na implementação de políticas voltadas ao alto rendimento, com foco na ampliação do acesso e na equidade de gênero.

Com carreira internacional no basquete, tendo sido a jogadora mais jovem a estrear na WNBA (Women’s National Basketball Association) aos 20 anos de idade, Iziane leva para a gestão a experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas como atleta.

“O esporte forjou a pessoa que eu sou hoje”, afirma. Segundo ela, essa vivência contribui para a construção de políticas mais conectadas com a realidade dos atletas.

Alto rendimento, equidade e transição de carreira

Entre as prioridades da Secretaria está a ampliação da participação feminina em programas de incentivo, como o Bolsa Atleta, além da implementação de medidas que garantam a permanência das atletas no esporte.

“Hoje essas mulheres podem manter suas carreiras mesmo durante a maternidade”, afirma, ao destacar avanços recentes nas políticas públicas voltadas a atletas gestantes e puérperas dentro do Programa Bolsa Atleta.

Outro eixo de atuação é o fortalecimento da base e a ampliação do acesso ao alto rendimento em diferentes regiões do país. “O objetivo é garantir que meninas e meninos tenham acesso ao esporte desde cedo, com condições adequadas de desenvolvimento”, afirma.

A Secretaria de Excelência Esportiva também atua na transição de carreira dos atletas, com iniciativas voltadas à formação e preparação para o pós-carreira. “A carreira esportiva é intensa e exige planejamento para o futuro”, destaca a gestora que após despedir-se das quadras em 2016 fundou o Instituto Iziane Castro, em São Luís, no Maranhão, onde nasceu e passou a integrar a Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Da primeira seleção brasileira à construção da Copa 2027

Pioneira do futebol feminino no Brasil, Michael Jackson, acompanhou a evolução da modalidade ao longo das últimas décadas. Sua trajetória inclui atuação em clubes nacionais e internacionais, além da participação na consolidação da Seleção Brasileira em competições oficiais.

Para a gestora, o avanço do futebol feminino no país é resultado de um processo contínuo de fortalecimento do esporte. “Hoje nós temos um futebol feminino que pode jogar livremente e isso é um dos pontos mais importantes”, afirma.

Como assessora da Secretaria Extraordinária para a Copa de 2027, Michael Jackson destaca o papel do evento como indutor de desenvolvimento para o esporte feminino no país. “O Brasil nunca mais será o mesmo com o futebol feminino depois da Copa. Não é só o evento, é o legado”, afirma.

Segundo ela, a realização do torneio deve ampliar oportunidades e fortalecer a presença das mulheres no esporte. “O que nós esperamos é respeito, dignidade e condições para que as atletas possam viver da modalidade.”

Além do futebol, a gestora destaca o potencial de impacto social do esporte. “O futebol não é só futebol, ele também é social”, afirma, ao defender que o legado alcance diferentes realidades e territórios.

Desenvolvimento da base e ampliação de oportunidades

Com uma das carreiras mais longevas do esporte mundial, Miraildes Maciel Mota construiu uma trajetória marcada por participação em sete Copas do Mundo e sete Jogos Olímpicos, além de títulos continentais e medalhas internacionais.

Ao longo da carreira, vivenciou diferentes fases do futebol feminino no Brasil e hoje acompanha a evolução da modalidade também na gestão pública. “Hoje já temos mais acesso a materiais, campeonatos e oportunidades que ajudam no desenvolvimento das atletas”, afirma.

Na função de diretora, Formiga atua para ampliar essas condições e fortalecer a presença das mulheres no esporte. “Quero devolver ao esporte o que ele me deu e proporcionar isso a outras meninas”, destaca.

Para ela, o foco das políticas públicas deve estar na ampliação do acesso e na garantia de condições para que meninas e mulheres possam se desenvolver no esporte.

A diretora também ressalta a importância de ampliar a presença feminina em diferentes funções no esporte, incluindo gestão, arbitragem e comissões técnicas. “É importante que meninas e mulheres tenham o direito de jogar livremente, com respeito e oportunidades”, afirma.

Sobre a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino FIFA 2027, Formiga avalia o momento como estratégico para o fortalecimento do esporte feminino. “É uma grande oportunidade para ampliar o olhar da sociedade e fortalecer o esporte feminino no país”, afirma.

Confira a trajetória das três gestoras:

Iziane Marques

Iziane Marques é secretária nacional de Excelência Esportiva do Ministério do Esporte e uma das principais referências do basquete brasileiro. Nascida em São Luís (MA), construiu carreira internacional de destaque, tornando-se a jogadora mais jovem a atuar na WNBA aos 20 anos e acumulando mais de uma década na liga, além de passagens por clubes da Europa.

Pela Seleção Brasileira, disputou Jogos Olímpicos e Copas do Mundo, além de conquistar medalha nos Jogos Pan-Americanos. Após encerrar a carreira, passou a atuar na gestão esportiva e hoje lidera políticas públicas voltadas ao alto rendimento, com foco na ampliação do acesso, na equidade de gênero e na transição de carreira de atletas, contribuindo para o desenvolvimento do esporte em âmbito nacional.

Mariléia dos Santos (Michael Jackson)

Mariléia dos Santos, conhecida como Michael Jackson, é uma das pioneiras do futebol feminino no Brasil e atualmente atua como assessora da Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo de Futebol Feminino FIFA 2027 no Ministério do Esporte. Nascida em Valença (RJ), iniciou sua trajetória nos anos 1980, período de consolidação da modalidade no país, e destacou-se como uma das principais atacantes de sua geração, com passagens por clubes como Radar, Vasco, Santos e equipes internacionais, incluindo o Torino, na Itália.

Pela Seleção Brasileira, integrou o grupo que participou das primeiras competições internacionais oficiais, como o torneio experimental da FIFA em 1988 e a Copa do Mundo de 1995, além dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996. Com mais de 1.500 gols ao longo da carreira, é reconhecida como uma das maiores artilheiras da história do futebol feminino e, na gestão pública, contribui para o fortalecimento de políticas voltadas à promoção da modalidade e ao legado da Copa de 2027.


Miraildes Maciel Mota (Formiga)

Miraildes Maciel Mota, a Formiga, é uma das maiores atletas da história do futebol mundial e atualmente ocupa o cargo de diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino do Ministério do Esporte. Natural de Salvador (BA), iniciou sua trajetória ainda jovem e estreou na Seleção Brasileira aos 16 anos, construindo uma carreira marcada pela longevidade e pela presença constante em competições internacionais.

Única atleta, entre homens e mulheres, a disputar sete edições da Copa do Mundo e sete Jogos Olímpicos, Formiga acumulou títulos continentais, medalhas olímpicas e mais de duas décadas de atuação em alto nível. Após encerrar a carreira em 2022, passou a atuar na gestão pública, contribuindo com a formulação de políticas voltadas à ampliação do acesso, ao fortalecimento da base e à valorização das mulheres no futebol.

Assessoria de Comunicação – Ministério do Esporte