Em Goiás, 62% dos profissionais do Direito dizem que resultados da IA superam expectativas
Pesquisa nacional revela avanço da inteligência artificial na rotina jurídica e aponta ganhos de produtividade e qualidade entre profissionais goianos
A inteligência artificial já deixou de ser tendência para se tornar parte concreta da rotina de profissionais do Direito no Brasil. É o que aponta o Relatório sobre o Impacto da IA no Direito – Edição 2026, que revela como a tecnologia vem transformando o dia a dia da advocacia — inclusive em Goiás.
No estado, entre os 444 participantes da pesquisa, 62% afirmam que os resultados práticos do uso de IA generativa superaram as expectativas iniciais. O dado evidencia uma percepção cada vez mais positiva sobre o potencial da tecnologia para otimizar rotinas e ampliar a eficiência no trabalho jurídico.
A economia de tempo aparece como um dos principais ganhos. Segundo o levantamento, 23% dos profissionais estimam economizar entre três e cinco horas por semana com o uso de ferramentas de IA generativa. Outros 18% afirmam ganhar entre cinco e dez horas semanais em atividades como análise de documentos, pesquisa de jurisprudência e organização de informações.
O impacto também é percebido na qualidade técnica das entregas. Em Goiás, 69% dos respondentes afirmam que a IA melhorou significativamente o resultado final de suas atividades jurídicas. Além disso, 52% dizem que as ferramentas já influenciam de forma relevante suas decisões estratégicas e jurídicas.
Realizada em parceria pelo Jusbrasil, pelas seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, Paraná, Bahia, Goiás, Pernambuco e Espírito Santo, além da Trybe e do ITS Rio, a pesquisa busca acompanhar a evolução da inteligência artificial no setor jurídico e fomentar um debate qualificado sobre seus benefícios, limites e desafios.
IA como aliada da produtividade
Os dados reforçam o papel da tecnologia como aliada da produtividade. De acordo com o levantamento, 86% dos profissionais afirmam que sua capacidade de entrega aumentou após a adoção de ferramentas de inteligência artificial, indicando ganhos concretos na organização do trabalho e na eficiência das atividades.
Para o presidente da OAB-GO, Rafael Lara Martins, a inteligência artificial já promove uma mudança estrutural na advocacia. “A IA acelera a evolução da profissão ao liberar advogados e advogadas de tarefas repetitivas, permitindo maior dedicação à formulação de estratégias jurídicas, à inovação e ao fortalecimento da relação com os clientes”, afirma.
Ele ressalta, no entanto, que o uso da tecnologia exige responsabilidade. “Essa transformação demanda vigilância constante para que a IA atue como ferramenta de apoio, sem substituir o julgamento humano, essencial na análise de contextos jurídicos complexos”, pontua.
Segundo o presidente, iniciativas como a pesquisa são fundamentais para orientar esse processo. “Ao mapear padrões de uso, desafios e barreiras — sejam éticas, de capacitação ou de confidencialidade —, esses estudos contribuem para o desenvolvimento de normas, treinamentos e boas práticas, promovendo uma integração ética da tecnologia na advocacia”, completa.
Metodologia
A pesquisa contou com ampla participação voluntária e reuniu mais de 1.800 respondentes, entre advogados, estudantes e outros operadores do Direito de todas as regiões do país. O levantamento apresenta nível de confiança de 95% e margem de erro de 2%, garantindo representatividade nacional sobre o uso e as perspectivas da IA generativa no setor jurídico.
Os dados foram coletados por meio de formulário distribuído nos canais digitais das seccionais da OAB em São Paulo, Paraná, Bahia, Goiás, Pernambuco e Espírito Santo, além das plataformas e redes das instituições parceiras Jusbrasil, Trybe e ITS Rio.