Fim da janela partidária reorganiza bancadas e altera equilíbrio político na Câmara

Mais de 70 deputados mudaram de legenda em 30 dias; PL amplia liderança, enquanto União Brasil perde espaço entre as maiores bancadas.

O encerramento da janela partidária nesta sexta-feira (3) provocou uma nova configuração das forças políticas na Câmara dos Deputados. Durante os 30 dias em que parlamentares puderam trocar de partido sem risco de perda de mandato, mais de 70 deputados federais mudaram de legenda, alterando o tamanho das bancadas e o equilíbrio entre as siglas.

Levantamento baseado em dados da Câmara dos Deputados, anúncios públicos e informes partidários indica que o período favoreceu especialmente algumas legendas, enquanto outras registraram perda de parlamentares. O número definitivo ainda depende da formalização de algumas filiações, mas o impacto político já é considerado significativo.

PL amplia liderança

O Partido Liberal (PL) foi o principal beneficiado pela janela. Antes da abertura do prazo, a sigla contava com 87 deputados, apesar de ter eleito 99 nas eleições de 2022. Durante o período de mudanças, o partido recebeu ao menos 17 novos parlamentares e registrou quatro saídas, consolidando-se como a maior bancada da Câmara.

O Partido dos Trabalhadores (PT) permanece na segunda posição, com 66 deputados. A legenda, porém, registrou a saída da deputada Luizianne Lins (CE), que deixou o partido após 37 anos de filiação para ingressar na Rede Sustentabilidade.

Disputa entre partidos médios

Entre os partidos de porte intermediário, o cenário se tornou mais equilibrado. O União Brasil perdeu parlamentares e deixou de ocupar isoladamente a terceira maior bancada da Casa. A posição agora é disputada por Republicanos, PP e PSD, que apresentam números próximos após o período de mudanças.

Na tentativa de recuperar força política, o União Brasil aposta na federação partidária com o PP, aprovada recentemente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estratégia que pode ampliar a influência das duas siglas no Congresso.

Partidos recuperam espaço

Algumas legendas que vinham enfrentando redução de suas bancadas conseguiram reforçar suas fileiras durante a janela partidária. É o caso do PSDB, que registrou nove novas filiações e três saídas no período, ampliando sua presença na Câmara.

As negociações partidárias também impactaram o ritmo de trabalho do Congresso. Nas últimas semanas, as votações no plenário da Câmara foram reduzidas, em parte devido às articulações políticas e também à proximidade do feriado da Páscoa, o que levou muitos parlamentares a priorizarem agendas em seus estados.

Impacto nas eleições de 2026

Com o fim da janela partidária, o calendário político avança para outra etapa do processo eleitoral: as convenções partidárias, quando serão definidos os candidatos que disputarão as eleições de 2026. O primeiro turno está previsto para ocorrer em 4 de outubro.

A legislação eleitoral prevê a janela partidária exclusivamente para cargos proporcionais, como deputados e vereadores. Nesse período, parlamentares podem mudar de legenda sem punição relacionada à fidelidade partidária, regra que normalmente determina que o mandato pertence ao partido, e não ao eleito.

Cargos majoritários, como presidente, governadores e senadores, seguem regras diferentes, exigindo apenas o cumprimento do prazo mínimo de filiação partidária antes da eleição.

Movimentações também no Senado

As articulações políticas também atingiram o Senado Federal, impulsionadas por projetos eleitorais. O senador Rodrigo Pacheco deixou o PSD para se filiar ao PSB, movimento associado à possibilidade de disputar o governo de Minas Gerais.

Outro caso foi o do senador Sergio Moro, que saiu do União Brasil para ingressar no PL, com foco em uma possível candidatura ao governo do Paraná.

Já a senadora Eliziane Gama anunciou a saída do PSD para se filiar ao PT, com o objetivo de reforçar o campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas eleições.

Também houve mudança envolvendo o senador Carlos Viana, que deixou o Podemos para retornar ao PSD, partido pelo qual já havia passado entre 2019 e 2021, em articulação ligada à sua permanência na Casa.