Irã rejeita proposta de cessar-fogo e questiona confiabilidade dos Estados Unidos
O governo do Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo relacionada à ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel, afirmando que a iniciativa não apresenta garantias reais de segurança e pode representar apenas uma pausa estratégica antes de novas operações militares.
A posição foi apresentada nesta segunda-feira (6) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, durante coletiva de imprensa divulgada pela agência Tasnim News.
Segundo Baqaei, pressões ou prazos impostos externamente não devem interferir nas decisões de defesa do país. Ele afirmou que experiências anteriores demonstram que cessar-fogos muitas vezes funcionam como intervalos para reorganização militar antes de novas ofensivas.
“Nenhuma pessoa racional aceitaria esse tipo de dinâmica”, declarou o porta-voz, acrescentando que o governo iraniano exige que suas demandas sejam consideradas enquanto busca evitar ciclos repetidos de guerra seguidos por tréguas temporárias.
Críticas ao processo de negociação
Durante a coletiva, Baqaei também criticou o papel da Organização das Nações Unidas, afirmando que, em determinados momentos, a instituição atua de forma influenciada por grandes potências. Diante disso, ressaltou que o Irã considera essencial adotar medidas próprias para garantir sua segurança nacional.
O porta-voz mencionou ainda que um plano com 15 pontos apresentado por intermediários nos últimos dias foi considerado “excessivo e irracional” pelo governo iraniano. Apesar disso, afirmou que o país elaborou suas próprias condições para um possível entendimento, baseadas no que classificou como interesses nacionais.
Baqaei destacou que apresentar essas condições não deve ser interpretado como sinal de recuo nas negociações. Segundo ele, enquanto as Forças Armadas do país seguem em atividade, a diplomacia continua desempenhando um papel importante na gestão do conflito.
Acusações contra Washington
O representante iraniano também criticou ameaças atribuídas aos Estados Unidos contra infraestrutura do país, classificando esse tipo de declaração como potencial crime de guerra. Ele afirmou ainda que ataques a alvos civis e à infraestrutura essencial devem ser alvo de responsabilização internacional.
Ao comentar as negociações em andamento, Baqaei afirmou que dialogar sob pressão ou diante de ultimatos não constitui um ambiente adequado para acordos diplomáticos, especialmente quando há intensificação das operações militares.
Segundo ele, a credibilidade diplomática de Washington foi prejudicada por decisões recentes na política internacional. O porta-voz citou, como exemplo, a saída dos Estados Unidos de diversos acordos e compromissos internacionais nos últimos meses, o que, na avaliação do governo iraniano, compromete a confiança necessária para negociações de segurança.