Vorcaro negocia delação e busca imunidade para familiares
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, intensificou as tratativas para firmar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal. A negociação tem como um dos principais objetivos garantir imunidade para familiares e apresentar informações que podem influenciar investigações em andamento.
De acordo com informações divulgadas pela jornalista Basília Rodrigues, do SBT News, a defesa do banqueiro reuniu, após cerca de três semanas de trabalho intenso, um volume de dados considerado suficiente para iniciar negociações formais com as autoridades. A expectativa é que o acordo possa ser fechado já na próxima semana.
Estratégia da defesa
O material preparado pela defesa inclui dados de investigações, mensagens de celular e relatos do próprio Vorcaro. A estratégia é demonstrar que há conteúdo relevante para colaboração, sem necessariamente revelar todos os detalhes antes da formalização do acordo.
Caso as negociações avancem, a PGR e a Polícia Federal poderão solicitar esclarecimentos adicionais ou a inclusão de novos pontos nos depoimentos. Pessoas próximas ao caso afirmam que o material reunido já permitiria preencher diversos anexos de uma eventual delação.
Pedido de imunidade para familiares
Um dos pontos centrais da negociação é a tentativa de garantir proteção jurídica a familiares do banqueiro, como seu pai e sua irmã. A defesa busca evitar que eventuais responsabilidades atribuídas a Vorcaro sejam estendidas a eles.
Além disso, a proposta inclui a possibilidade de uma delação coletiva, com menções a outras pessoas ligadas ao caso, entre elas Carlos Mansur e Fabiano Zettel.
Bastidores do mercado financeiro
Segundo interlocutores, a linha adotada pelo banqueiro é de colaboração ampla. Pessoas próximas afirmam que ele estaria disposto a detalhar bastidores do mercado financeiro e as pressões que teriam sido exercidas contra o Banco Master.
Apesar de demonstrar arrependimento em conversas relatadas por aliados, Vorcaro nega ter integrado uma organização criminosa. Segundo essa versão, ele teria “jogado o jogo que todo mundo joga” no ambiente do mercado financeiro.
Mensagens e pontos sensíveis
Entre os elementos que podem ser apresentados às autoridades estão mensagens em que o banqueiro menciona ministros do Supremo Tribunal Federal. Caberá aos investigadores avaliar se há indícios de irregularidades nesses registros.
Outro tema que pode aparecer nos depoimentos envolve o uso de aeronaves de propriedade de Vorcaro por terceiros, que, segundo a defesa, teria ocorrido dentro de uma estratégia de ampliação de contatos.
A defesa também pretende contextualizar episódios de ameaças dirigidas a desafetos, incluindo jornalistas, classificando essas falas como desabafos ou bravatas. Em um dos casos citados, a menção a uma funcionária chamada Monique teria ocorrido em meio a um conflito envolvendo uma namorada do banqueiro, que supostamente teria ameaçado divulgar imagens comprometedoras do casal.
Versões sobre operador do caso
Outro ponto sensível envolve Luiz Philipe Mourão, que morreu após ter sido preso. Pessoas próximas afirmam que ele também era conhecido como “Mexirica” em Minas Gerais e que o apelido “Sicário” teria surgido como uma brincadeira.
Segundo esses relatos, Mourão seria uma pessoa de perfil voluntarioso e atuaria com relativa autonomia. Já as investigações apontam que ele teria desempenhado papel relevante como operador de ordens atribuídas a Vorcaro e seria suspeito de envolvimento na invasão de sistemas públicos.
Com as negociações em andamento, a possível delação do controlador do Banco Master pode trazer novos elementos para investigações sensíveis e ampliar o alcance das apurações conduzidas pelas autoridades federais.