Governo amplia subsídios ao diesel e pressiona distribuidoras a aderirem ao programa

Medidas buscam conter a alta do combustível e reduzir efeitos do cenário internacional sobre os preços no Brasil

O governo federal decidiu ampliar os subsídios ao diesel na tentativa de conter a elevação dos preços do combustível e minimizar os impactos do mercado internacional no Brasil. As novas medidas foram anunciadas na segunda-feira (6) e incluem incentivos mais amplos à produção e à importação, além de benefícios fiscais. Ao mesmo tempo, o governo intensifica a pressão para que distribuidoras que ainda não participam do programa passem a aderir às políticas adotadas.

Segundo reportagem do jornal O Globo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que espera maior adesão do setor após o reforço nos incentivos. Ele destacou que já houve conversas iniciais com as distribuidoras e que parte das empresas demonstrou preocupação com questões relacionadas ao abastecimento e à implementação do programa.

De acordo com o ministro, diante do esforço conjunto do governo federal e dos estados, com a oferta de uma subvenção considerada significativa, a expectativa é de que as empresas passem a participar da iniciativa.

Incentivos ampliados

A política de subsídios começou em março, quando o governo passou a conceder R$ 0,32 por litro de diesel a produtores e importadores, desde que o combustível fosse comercializado dentro de um preço estabelecido. Como a adesão foi considerada abaixo do esperado, o governo decidiu ampliar o pacote de incentivos.

Entre as novas medidas está a criação de uma subvenção de R$ 1,20 por litro para o diesel rodoviário importado e de R$ 0,80 por litro para o combustível produzido no país. Esses valores são adicionais ao incentivo já existente. O governo também anunciou a isenção de impostos federais sobre o biodiesel.

Resistência de grandes distribuidoras

Apesar do reforço nos estímulos, grandes distribuidoras ainda não aderiram ao programa. Empresas como Vibra, Ipiranga e Raízen seguem fora da iniciativa.

Essas companhias têm papel relevante no mercado nacional, pois além de adquirirem diesel produzido nas refinarias brasileiras, também respondem por cerca de metade das importações do combustível no país.

Participação parcial no programa

Enquanto algumas empresas permanecem fora da política de subsídios, outras já aderiram às medidas. Entre elas estão a Petrobras, a Refinaria de Mataripe — operada pela Acelen —, além das empresas Sea Trading Comercial, Midas Distribuidora e Sul Plata Trading, segundo informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Atualmente, o parque de refino da Petrobras, somado à unidade da Acelen, é responsável por aproximadamente 70% da demanda nacional de diesel. Os 30% restantes são atendidos por importações, o que torna a participação das distribuidoras um fator importante para o equilíbrio do abastecimento no país.