Investir na aquisição de imóvel ainda vale a pena? Especialista explica estratégia para o investidor goiano
Cenário de juros elevados exige planejamento e análise criteriosa na hora de alocar recursos
O forte aquecimento do setor imobiliário registrado em Goiás ao longo de 2025 deixou um rastro de otimismo, mas o atual patamar elevado da taxa de juros impõe uma reflexão aos goianos na hora de decidir como investir em imóveis: diretamente, por meio da compra de um bem físico, ou via Fundos de Investimento Imobiliários (FIIs).
Impulsionado pela força do agronegócio e pela expansão contínua de polos logísticos, o estado viveu um forte ciclo de crescimento. Dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) mostram que Goiânia superou a marca de R$ 8,1 bilhões em vendas de imóveis no ano passado.
Além do volume expressivo de negócios, o preço médio do metro quadrado na capital saltou 13,4% em 2025, atingindo a marca de R$ 10.531, o que reforça o interesse por investimentos em tijolos. No entanto, com o custo do crédito mais elevado e a maior atratividade de aplicações financeiras, cresce a necessidade de avaliar se a compra direta ainda é a melhor estratégia ou se veículos como os FIIs oferecem uma relação mais eficiente entre risco, liquidez e retorno.
Especialistas apontam que, no cenário atual, investir no mercado financeiro — incluindo fundos imobiliários — pode ser mais vantajoso no curto e médio prazo do que mobilizar grandes quantias na aquisição de um único ativo físico, especialmente quando há necessidade de financiamento e reformas.
“Quando colocamos na ponta do lápis, com a Taxa Selic em torno de 14,75% ao ano, o cenário atual de juros restritivos penaliza quem toma crédito e premia quem tem liquidez”, avalia Marco Loureiro, sócio e líder da XP na região Centro-Oeste.
“Para o investidor goiano que tem capital, travar um financiamento imobiliário longo agora significa assumir um custo altíssimo. É muito mais estratégico aproveitar as taxas atrativas e rentabilizar esse patrimônio acima da inflação e, num segundo momento, ir ao mercado com um poder de barganha muito maior para negociar compras à vista ou com entradas robustas”, explica Loureiro.
Esse movimento de cautela e análise também se reflete na diversificação das carteiras. Levantamentos da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que o cenário de juros altos consolidou a renda fixa como o principal refúgio dos portfólios no Centro-Oeste, mas também abriu espaço para alternativas como os FIIs, que permitem exposição ao setor imobiliário com menor capital inicial e maior liquidez.
Em paralelo, dados da B3 indicam que Goiás mantém uma curva ascendente e sólida na entrada de pessoas físicas na Bolsa de Valores, encerrando 2025 com cerca de 151 mil investidores apenas em renda variável, além de outras categorias de investimento. Esse fenômeno reflete o amadurecimento de um investidor que busca não apenas proteger seu dinheiro da inflação, mas também diversificar suas estratégias.
Para quem busca gerar renda com imóveis, a decisão passa por entender o perfil e os objetivos. Enquanto o imóvel físico pode oferecer ganho de valorização e renda com aluguel, os fundos imobiliários proporcionam distribuição periódica de rendimentos, diversificação e maior facilidade de entrada e saída do investimento.
Para estruturar essa estratégia, a recomendação é montar uma carteira equilibrada. “O segredo não é apenas fugir do financiamento caro, mas saber onde alocar esse recurso. A diversificação é a chave para blindar o patrimônio e garantir rentabilidade real”, orienta Marco Loureiro.
Ainda segundo Loureiro, o investidor deve aproveitar a vitrine atual, mas com estratégia. “Títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+, preservam o poder de compra no longo prazo. Ao diversificar entre renda fixa, fundos imobiliários e uma fatia em moeda forte ou ações de dividendos, o goiano não apenas escapa de um financiamento caro, mas acelera o tempo necessário para conquistar o imóvel dos sonhos com muito mais segurança financeira e sem o peso de uma dívida desproporcional”, conclui Marco.