Projeto “Procurando o Eixo” promove debates sobre raça, racismo e dança em Goiânia
Programação gratuita reúne conferência com Luiza Meireles, oficina com Kanzelumuka e diálogo com a V Mostra Núcleo Coletivo 22
Goiânia recebe, nesta quinta, sexta e sábado, 14, 15 e 16 de maio, no Centro Cultural da UFG (Praça Universitária) e na EFG Basileu França, a programação do projeto “Procurando o Eixo – Discutindo raça e racismo na dança”, iniciativa contemplada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia, que propõe uma série de encontros voltados à reflexão crítica sobre raça, racismo, branquitude e seus impactos históricos e contemporâneos no universo da dança.
Com atividades gratuitas abertas ao público, o projeto reúne artistas, pesquisadoras(es), estudantes, professoras(es) e pessoas interessadas em discutir os modos como as estruturas raciais atravessam a produção, a legitimação e a circulação das danças no Brasil. A proposta foi idealizada pela pesquisadora e artista Rousejanny Ferreira e articula palestras, rodas de conversa e vivências formativas. A produção executiva é de Cinara Santana. O evento conta também com o apoio do Centro Cultural UFG, da Pró-reitoria de extensão e cultura, da Universidade Federal de Goiás, além da Escola do Futuro em Artes (EFG) Basileu França e do Instituto Federal de Goiás.
A agenda do “Procurando o Eixo” faz uma intersecção com a “V Mostra Núcleo Coletivo 22”, que celebra os 25 anos de trajetória do grupo artístico goiano.
No dia 14 de maio, às 20h, o Núcleo Coletivo 22 estreia a obra “Dançar o Tempo”, no Centro Cultural UFG, com entrada gratuita. Dançar o Tempo é o espetáculo solo de Renata Kabilaewatala, concebido como celebração de sua trajetória artística e acadêmica. O tempo, força imperiosa e determinante, é abordado a partir de camadas que compõem a experiência pessoal. Como o vento, ele passa, desloca, atravessa; todavia, recai sobre o corpo, deixando marcas indeléveis. A dramaturgia se constrói no ato de poetnografar o vivido no fundo de quintal, na roda, na rua e no terreiro, compreendidos como espaços de vivência, sociabilidade negra e aprendizado de saberes afro-diaspóricos, consolidando identidades. Como um fio resistente e delicado, essa ancestralidade costura os lugares-momentos e dá forma ao espetáculo cênico, no qual movimento e palavra narram memórias acumuladas no corpo e na história de vida.
No dia 15 de maio, às 18h, o mesmo espaço recebe a pesquisadora e bailarina Luiza Meireles para a atividade “Chegou a hora de desorganizar a cena?”, uma conferência que propõe reflexões sobre os mecanismos de exclusão racial nas companhias de dança e os modos como determinados. Luiza é artista da dança, mestra pela UFBA e advogada com atuação em direito antidiscriminatório. Com mais de 30 anos de trajetória em companhias públicas, Luiza traz uma perspectiva potente: o corpo negro não como objeto, mas como voz e proposição. A entrada também é gratuita e não precisa de inscrição.
Ainda no dia 15 de maio, às 20h, a programação segue com o espetáculo “Por cima do mar eu vim”, integrando a V Mostra Núcleo Coletivo 22. A mostra celebra os 25 anos do coletivo, trajetória marcada por processos de criação, pesquisa e resistência artística em Goiás. O evento acontece em diálogo com o projeto “Procurando o Eixo”, ampliando os atravessamentos entre pensamento, criação e cena contemporânea.
Já no dia 16 de maio, às 9h da manhã, o Procurando o Eixo encerra sua programação com uma imersão potente em práticas que atravessam corpo, ritual e criação. A oficina “Chão de Terreiro para as Artes da Cena na Contemporaneidade”, com Kanzelumuka, será realizada na EFG Basileu França. Trata-se de uma experiência que convoca cosmovisões africano-brasileiras de tradição Congo-Angola para pensar e vivenciar o corpo como espaço de criação, memória e espiritualidade. Um convite para “dar comida” às ações cênicas e adentrar práticas artísticas enterreiradas. Kanzelumuka é artista cênica, pesquisadora e docente, com ampla trajetória em dança, teatro e artes negras, atuando em companhias, universidades e projetos formativos em todo o país. Para esta atividade é preciso fazer inscrição pelo formulário: https://forms.gle/Fsktp97mhuqxhDYW8
O projeto teve início no último fim de semana com duas atividades realizadas na Praça Universitária. No dia 8 de maio, a pesquisadora Lia Vainer Schucman abriu a programação com a palestra “Racismo e branquitude”, no Centro Cultural UFG. Já no dia 9 de maio, aconteceu a roda de conversa “Encontrando eixos: elucidando raça e dança em pesquisas goianas”, reunindo Daya Gomes, Marcos Paulo, Roberto Rodrigues e Rousejanny Ferreira no Auditório do Museu Antropológico da UFG.
Ao longo da programação, “Procurando o Eixo” busca provocar reflexões sobre quem ocupa os espaços de dança, quais corpos são historicamente legitimados, quais práticas foram invisibilizadas e como as estruturas raciais moldaram os modos de pensar e produzir arte no Brasil. O projeto também propõe diálogos sobre contracolonialidade, afro-futurismo e estratégias de reorganização das práticas artísticas e pedagógicas na dança contemporânea.
Serviço: Projeto “Procurando o Eixo – Discutindo raça e racismo na dança”
14 de maio | 20h – quinta-feira – Núcleo Coletivo 22 estreia a obra “Dançar o Tempo”
Local: Centro Cultural UFG – Sala Multiuso – Praça Universitária
ENTRADA GRATUITA – ingressos pelo Sympla
15 de maio | 18h – sexta-feira – Conferência com Luiza Meireles
“Chegou a hora de desorganizar a cena? Afinal, o que os corpos em cena podem nos contar para além de suas danças?”
Local: Centro Cultural UFG – Sala Multiuso – Praça Universitária
ENTRADA GRATUITA
15 de maio | 20h – sexta-feira – Estreia da obra “Dançar o Tempo”
ENTRADA GRATUITA
16 de maio | 9h – sábado – Oficina com Kanzelumuka
“Chão de Terreiro para as Artes da Cena na Contemporaneidade”
Local: EFG Basileu França – Rua 18, Centro