I.A cria eleitores sintéticos para comunicação mais assertiva nas eleições

Pesquisas que não são eleitorais, mas de dados de compreensão da sociedade vão permitir acertar o tom e os discuros para que eles possam chegar primeiro aos eleitores sintéticos e posteriromente aos eleitores reais

A Inteligência Artificial veio para ficar e já é uma realidade tanto para o mercado de trabalho como para a política. Esse ano, o Brasil tem eleições para presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais E, conforme a legislação eleitoral, foram definidas regras para o uso da ferramenta na criação de peças para a propaganda eleitoral. As regras definidas pela Justiça Eleitoral determinam que a propaganda tem uma identificação que foi criada por uma I.A. Mas o que chama a atenção é a possibilidade de melhorar o discurso do candidato por meio da criação de eleitores sintéticos.

O CEO da Porfiriotech, especialista em Inteligência Artificial, Guilherme Porfírio, explica como esses eleitores sintéticos podem ser criados e de que forma eles podem melhorar a comunicação de uma maneira mais assertiva para os candidatos nas próximas eleições. 
O especialista afirma que os eleitores sintéticos nada mais são do que avatares computacionais do público. “Eles simulam o comportamento do eleitor por meio de grandes modelos de linguagem/IA e geram a reação desse avatar; assim, nós sabemos como as pessoas vão reagir aos ‘sinais’ antes mesmo que eles sejam emitidos”.

Em um exemplo, Porfírio cita a criação da Dona Cleuza, com idade entre 45 e 54 anos, casada, mãe de dois filhos, evangélica e que se preocupa com a defesa de uma família estruturada. Então, nesse caso específico, o mais importante para esse avatar vai ser um governo que se preocupe com a família. 

“A partir da criação do avatar da Dona Cleuza, nós vamos criar outros avatares na região do Tocantins, Mato Grosso, Goiás que correspondem à realidade dessas pessoas. Por exemplo, no Tocantins há muitas pequenas diferenciações, como o avatar da Dona Raquel, casada, com um filho, e a coisa mais importante vai ser o desenvolvimento de oportunidades financeiras para que ele possa ser independente”, pontua o especialista.
E como esses dados são coletados?

Os dados para esse levantamento são coletados por meio de pesquisas, porém não são pesquisas eleitorais. Segundo Porfirio, os dados são de compreensão da sociedade, e essas pesquisas vão abastecer a ferramenta para entender o que o eleitor final busca e assim conseguir alinhar o discurso do candidato para aquele determinado público.

“A gente utiliza informações públicas para gerar uma grande I.A., e alimentá-la com características próprias e fazer uma execução em que possamos comparar esses avatares”, salienta. Com isso, antes de o candidato fazer um discurso a um determinado público, ele vai ter 300 opções de discursos para ele se comunicar com esses 300 avatares de eleitores sintéticos.

“Hoje, em vez de ele fazer um discurso de uma hora, ele vai fazer 300 vídeos de dois minutos, e vai ser mais assertivo na hora de se comunicar. Além disso, o próprio algoritmo das redes sociais vai entregar o conteúdo para esse avatar. Pois ele é uma engenharia reversa da lógica de como as redes sociais funcionam, por meio dos clusters”, pontua.