Brasil aparece entre favoritos, mas banco francês aponta França como principal candidata ao título da Copa de 2026
Relatório do Natixis, baseado em 100 mil simulações, coloca França e Espanha na frente do Brasil na corrida pelo título mundial
A combinação entre estatística, econometria e inteligência de dados voltou a entrar em campo para tentar antecipar o desfecho da próxima Copa do Mundo. Segundo reportagem publicada pelo Valor Econômico, um estudo elaborado pelo banco francês Natixis aponta a França como favorita ao título da Copa de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá.
De acordo com o relatório da instituição financeira controlada pelo grupo BPCE, a seleção francesa aparece com 26% de probabilidade de conquistar o torneio e levantar sua terceira taça mundial. Logo atrás surge a Espanha, com 25% de chances, em uma disputa extremamente equilibrada nas projeções do modelo estatístico desenvolvido pelo banco. O Brasil aparece na quinta colocação, com 9,3% de probabilidade de conquistar o hexacampeonato.
“Embora os resultados possam parecer enviesados, garantimos gentilmente que eles foram gerados pelo modelo. A França é projetada para vencer o torneio com uma probabilidade de 26%, seguida de perto pela Espanha, que aparece com uma probabilidade de 25%”, escreveram os estrategistas do Natixis em relatório enviado a clientes.
A Argentina, atual campeã do mundo, ocupa a terceira posição no ranking de probabilidades, com 13,6% de chances de conquistar o bicampeonato consecutivo. Em seguida aparece Portugal, com 12,4%, logo à frente da seleção brasileira.
Na sequência do levantamento aparecem Inglaterra, com 5,2%, e Colômbia, com 2,6%.
Probabilidades na Copa do Mundo
Brasil tem alta probabilidade de chegar às fases decisivas
Apesar de não liderar as projeções para o título, o Brasil surge como uma das equipes mais consistentes nas simulações feitas pelo banco francês. Segundo o relatório, a seleção brasileira possui 100% de chance de avançar da primeira fase da competição.
Os cálculos do Natixis indicam ainda que o Brasil tem:
83,6% de probabilidade de chegar às oitavas de final;
69% de chance de alcançar as quartas de final;
43,5% de possibilidade de disputar a semifinal;
21,3% de chance de chegar à final da Copa do Mundo.
Os números colocam a seleção brasileira entre as principais forças do torneio, ainda que atrás das projeções atribuídas a França, Espanha, Argentina e Portugal.
Banco utilizou modelo estatístico com 100 mil simulações
O estudo foi elaborado pelos estrategistas Bastien Aillet, Seiln Aker, Hadrien Camatte, Jesus Castillo e Emeline Gorguet. Para chegar às probabilidades, o Natixis utilizou um modelo inspirado no método Dixon-Coles, amplamente empregado para prever resultados de partidas de futebol a partir do desempenho ofensivo e defensivo das equipes.
Segundo o banco, o sistema utiliza distribuições probabilísticas bivariadas para estimar placares e reproduz toda a estrutura oficial do torneio da FIFA. O algoritmo simulou a Copa do Mundo 100 mil vezes por meio de um método de Monte Carlo, amplamente utilizado em estatística e finanças para prever cenários complexos.
O relatório também lembra que modelos semelhantes vêm obtendo resultados expressivos em Copas recentes.
Os estrategistas citam o trabalho desenvolvido por Joachim Klement, ex-chefe de estratégia do UBS Wealth Management na Suíça. Em 2014, ele criou um modelo baseado em variáveis como PIB per capita, tamanho populacional, temperatura média ideal, vantagem de jogar em casa e ranking da FIFA.
“Os vencedores projetados foram Alemanha em 2014, França em 2018 e Argentina em 2022, o que dá ao modelo uma taxa de acerto de 100% nas últimas três edições. Para a edição de 2026, o modelo de Klement prevê a Holanda campeã contra Portugal na final. Nenhuma dessas duas seleções jamais venceu uma Copa do Mundo”, observam os analistas.
Apesar disso, o modelo do Natixis diverge significativamente da projeção de Klement em relação à Holanda. Enquanto o economista vê os holandeses como favoritos, o banco francês atribui apenas 0,4% de probabilidade ao título da seleção europeia.
Impacto econômico da Copa deve ser limitado
Além das projeções esportivas, o relatório também analisou os possíveis efeitos econômicos da Copa do Mundo sobre os países-sede.
Segundo o Natixis, o impacto positivo sobre México e Estados Unidos tende a ser relativamente modesto. No caso mexicano, que receberá apenas 13 das 104 partidas do torneio, a expectativa é de um efeito econômico limitado e de curta duração.
As estimativas apontam crescimento entre 0,1% e 0,2% do PIB mexicano em 2026 em razão do evento.
Já para os Estados Unidos, país que sediará a maior parte das partidas, o cenário também é visto com cautela pelos analistas.
“Muitas instituições financeiras esperam que a Copa do Mundo adicione mais de US$ 40 bilhões ao PIB global, sendo cerca de US$ 17 bilhões ao PIB dos Estados Unidos, representando um aumento modesto de 0,05 ponto percentual para a economia americana. No contexto atual de menor apetite de viajantes internacionais e demanda fraca por hotéis, o impacto sobre a economia americana tende a ser limitado”, concluem os estrategistas do Natixis.