Desmatamento na Amazônia registra menor índice em seis anos, aponta MapBiomas
Relatório mostra redução da devastação em todos os biomas brasileiros em 2025
O desmatamento na Amazônia brasileira atingiu, em 2025, o menor patamar dos últimos seis anos. Os dados fazem parte de um levantamento divulgado nesta quarta-feira (27) pela rede MapBiomas, que também apontou queda da perda de vegetação em todos os biomas do país.
Segundo o relatório, o Brasil reduziu em 20,6% a área desmatada em comparação com 2024, ficando abaixo da marca de 1 milhão de hectares devastados pela primeira vez desde o início da série histórica do monitoramento, iniciada em 2019.
Ao longo de 2025, cerca de 985 mil hectares foram desmatados no território nacional. O resultado é visto como um avanço nas políticas ambientais do governo federal, que tem entre suas metas combater o desmatamento ilegal até 2030. Apesar da redução, o estudo alerta que o ritmo de destruição ainda é elevado, especialmente na Amazônia, onde a perda de vegetação equivaleu a quase cinco árvores derrubadas por segundo.
Fiscalização e transparência ajudam na redução
De acordo com o MapBiomas, todos os biomas brasileiros apresentaram diminuição nas áreas desmatadas. Na Amazônia, a redução foi de 23,5% entre 2024 e 2025. O levantamento não inclui áreas atingidas por incêndios, embora as queimadas também tenham apresentado queda após os recordes registrados no ano anterior.
O coordenador técnico do MapBiomas, Marcos Rosa, atribuiu o resultado ao fortalecimento das ações de fiscalização e ao aumento da transparência sobre autorizações ambientais.
Segundo ele, 65% das áreas onde houve perda de vegetação receberam algum tipo de ação das autoridades em 2025, como embargos e operações de controle. Em 2024, esse índice era de 54%, enquanto em 2019 representava apenas 5%.
Amazônia segue sob pressão ambiental
Mesmo com a melhora nos indicadores, o relatório destaca que a Amazônia continua sofrendo forte pressão ambiental. A floresta tropical ainda registra índices elevados de destruição, o que mantém o alerta sobre a necessidade de ampliar medidas de preservação.
A desaceleração do desmatamento ocorre em meio ao aumento da cobrança internacional por resultados ambientais do Brasil, especialmente após a realização da COP30, conferência climática da ONU sediada em Belém.
Cerrado lidera perda de vegetação
O Cerrado permaneceu como o bioma mais afetado pelo desmatamento em 2025. Conforme o MapBiomas, mais da metade de toda a vegetação perdida no país ocorreu na região, mesmo diante da redução nacional observada no período.
A rede de monitoramento — formada por universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia — aponta que a expansão agropecuária continua sendo a principal responsável pela perda de vegetação nativa no Brasil, mantendo o debate sobre os impactos do avanço econômico sobre os biomas brasileiros.