Pesquisa mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro e disputa acirrada com Caiado e Zema
Levantamento do Instituto Vox Brasil indica recuperação do presidente em eventual segundo turno contra o senador do PL, enquanto nomes da centro-direita reduzem a diferença e aparecem em empate técnico dentro da margem de erro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança em uma simulação de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Vox Brasil. O levantamento aponta uma mudança de cenário em relação às rodadas anteriores e mostra o petista retomando a dianteira na disputa presidencial projetada para 2026.
De acordo com os números, Lula registra 47,8% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 41,3%. A diferença de 6,5 pontos percentuais representa uma inversão em comparação ao levantamento realizado em meados de maio, quando o senador aparecia numericamente à frente.
O estudo também identificou que 6,5% dos entrevistados votariam em branco, nulo ou em nenhum dos dois candidatos. Outros 4,4% afirmaram ainda não saber em quem votariam.
A pesquisa foi realizada em um período marcado por acontecimentos de repercussão nacional e internacional, incluindo a visita de Flávio Bolsonaro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a decisão do governo americano de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Cenários alternativos apontam disputas mais equilibradas
Apesar da vantagem sobre Flávio Bolsonaro, o levantamento revela um quadro mais competitivo quando Lula é comparado a outros nomes da centro-direita.
No cenário contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), o presidente aparece com 46,5% das intenções de voto, enquanto o adversário registra 44,9%. A diferença de 1,6 ponto percentual está dentro da margem de erro da pesquisa, configurando empate técnico.
O crescimento de Caiado chama atenção. Em pouco mais de duas semanas, o governador ampliou significativamente sua presença no levantamento, saindo de 32,5% para 44,9%.
Situação semelhante é observada na simulação envolvendo Romeu Zema (Novo). Lula aparece com 46,3%, contra 42,5% do ex-governador mineiro. A distância de 3,8 pontos percentuais também coloca os dois em condição de empate técnico no limite da margem de erro.
Os dados indicam avanço consistente de Zema nas últimas semanas, reduzindo a diferença em relação ao presidente.
Desempenho varia conforme perfil do eleitor
Os recortes demográficos mostram diferenças importantes entre os segmentos do eleitorado.
Lula mantém vantagem entre as mulheres em todos os cenários testados. Na disputa contra Flávio Bolsonaro, por exemplo, o presidente alcança 50,8% entre o eleitorado feminino, enquanto o senador registra 38,3%.
Entre os homens, o quadro se inverte: Flávio Bolsonaro lidera com 46,5%, ante 42,3% de Lula.
A renda também influencia as preferências eleitorais. O presidente apresenta desempenho mais forte entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, enquanto candidatos da oposição obtêm melhores resultados entre as faixas de renda mais elevadas.
Aécio registra cenário mais difícil
Entre os nomes avaliados pela pesquisa, o ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB) apresenta o resultado mais desfavorável diante de Lula.
Nesse cenário, o presidente alcança 49,1% das intenções de voto, enquanto o tucano soma 24,5%. A diferença supera 24 pontos percentuais.
Além disso, Aécio enfrenta índices elevados de indecisão e de votos brancos e nulos, sinalizando dificuldades para ampliar sua competitividade eleitoral.
Eleitorado ainda demonstra espaço para mudanças
O levantamento também mediu o grau de consolidação das preferências dos eleitores. Segundo os dados, 49,5% afirmam que já definiram seu voto e não pretendem mudar de posição até a eleição.
Por outro lado, 39,6% dizem que ainda podem alterar sua escolha, percentual superior ao registrado nas pesquisas anteriores. O resultado sugere que parte significativa do eleitorado permanece aberta a mudanças de opinião ao longo da campanha.
A pesquisa Vox Brasil ouviu 2.100 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 1º e 3 de junho. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).