CAMPANHAS DIGITAIS ESTÃO SUBSTITUINDO PRÁTICAS TRADICIONAIS E LEVANTAM NOVO DEBATE NO DIREITO ELEITORAL

Especialista aponta que algoritmos e redes sociais transformaram a forma de fazer política no Brasil

As eleições brasileiras vivem uma transformação silenciosa, mas profunda. Se durante décadas a conquista do voto esteve associada a comícios, reuniões presenciais, caminhadas, santinhos e programas eleitorais tradicionais, hoje a disputa pela atenção do eleitor acontece, cada vez mais, dentro das plataformas digitais.

Para o advogado eleitoral Dr. Danúbio Cardoso Remy, especialista em Direito Público e Direito Eleitoral, essa mudança impõe novos desafios à legislação e à própria Justiça Eleitoral.

Segundo o jurista, as redes sociais alteraram significativamente a dinâmica das campanhas políticas, criando um cenário em que vídeos curtos, transmissões ao vivo, conteúdos patrocinados e estratégias digitais passaram a exercer influência comparável, ou até superior, aos instrumentos tradicionais de mobilização eleitoral.

“A política acompanhou a transformação da sociedade. O eleitor está conectado, consome informação de forma instantânea e interage diretamente com candidatos e lideranças. Isso exige uma reflexão jurídica sobre os limites e os impactos desse novo ambiente digital”, afirma.

De acordo com Danúbio Remy, o debate ultrapassa questões relacionadas à propaganda eleitoral e alcança temas mais complexos, como impulsionamento de conteúdo, utilização de algoritmos, responsabilidade sobre informações disseminadas nas plataformas e a própria igualdade de oportunidades entre os candidatos.

“O Direito Eleitoral brasileiro foi construído em uma realidade analógica. Hoje, vivemos uma realidade digital, marcada por velocidade, segmentação de público e novas formas de influência política. O desafio é garantir que a evolução tecnológica aconteça sem comprometer a transparência, a legitimidade e o equilíbrio das disputas eleitorais”, destaca.

Para o especialista, as eleições de 2026 poderão representar um importante marco na consolidação desse debate, especialmente diante do crescimento constante das ferramentas digitais utilizadas por candidatos, partidos e eleitores.

A discussão também envolve aspectos relacionados à liberdade de expressão, ao acesso à informação e à proteção da democracia, temas que vêm ocupando espaço cada vez maior nas análises jurídicas e institucionais sobre o futuro do processo eleitoral brasileiro.

“Mais do que substituir práticas tradicionais, as plataformas digitais estão redefinindo a forma como a política é comunicada, percebida e debatida pela sociedade. É um fenômeno que merece atenção não apenas dos juristas, mas de todos aqueles que se preocupam com o fortalecimento das instituições democráticas”, conclui.