Vai praticar esporte radical? Saiba como identificar se uma atividade oferece condições seguras
Professora de Educação Física do CEUB explica o que observar antes de contratar atividades de aventura e lista sinais que podem indicar riscos à segurança
A procura por atividades como tirolesa, rapel, escalada, trilhas, paraquedismo e saltos em altura cresceu nos últimos anos entre pessoas que buscam adrenalina, contato com a natureza e superação de limites. Mas a repercussão de um acidente fatal em atividade de aventura nesta semana reacendeu alerta: como saber se uma experiência oferece condições adequadas de segurança? Leandra Batista, professora do curso de Educação Física do Centro Universitário de Brasília (CEUB), lista critérios que podem ajudar o consumidor a identificar operações mais preparadas e reduzir os riscos de acidentes.
“A emoção faz parte da proposta dessas atividades, mas ela não pode vir à frente da segurança. O praticante precisa entender que a escolha da empresa, dos profissionais e dos equipamentos é tão importante quanto a experiência em si”, afirma. Para a especialista, um dos erros mais comuns é escolher uma atividade apenas pelas fotos nas redes sociais ou pelo preço mais baixo: “É fundamental pesquisar a empresa, as avaliações de clientes e saber quem são os profissionais responsáveis pela operação.”
A busca por adrenalina não deve significar assumir riscos desnecessários. “O esporte de aventura pode ser uma experiência positiva quando existe planejamento, orientação adequada e respeito aos protocolos. Segurança não diminui a emoção; ela permite que a atividade aconteça da forma correta”, destaca a docente do CEUB. Segundo ela, todo participante deve fazer algumas perguntas antes de contratar atividade de aventura.
Entre os principais pontos de atenção antes de contratar, estão:
A empresa oferece orientações antes da atividade?
Toda atividade de aventura deve incluir um briefing de segurança, com explicações sobre os equipamentos, os riscos envolvidos e os procedimentos que devem ser seguidos durante a prática. “A ausência de orientações ou uma explicação muito superficial pode ser um sinal de alerta”, destaca.
Os equipamentos estão em boas condições?
Capacetes, cordas, mosquetões, cadeirinhas, coletes e sistemas de ancoragem precisam passar por inspeções frequentes. “O participante não precisa ser especialista para perceber quando um equipamento está mal conservado ou quando não existe uma rotina visível de conferência antes do uso.”
Há profissionais capacitados acompanhando a atividade?
Segundo Leandra, a presença de instrutores treinados e em número compatível com o grupo é fundamental. “Uma operação segura depende de supervisão constante. É importante que existam profissionais disponíveis para orientar e agir rapidamente em caso de emergência.”
Existe um plano para situações de emergência?
Outro ponto é verificar se a empresa possui protocolos para primeiros socorros, resgate e acionamento de equipes especializadas. “Mesmo quando tudo é planejado corretamente, imprevistos podem acontecer. Por isso, a resposta à emergência também faz parte da segurança.” Leandra reforça que muitas ocorrências estão relacionadas a falhas em procedimentos considerados básicos: “Em diversas modalidades, os acidentes acontecem justamente quando protocolos de segurança deixam de ser seguidos ou quando etapas de conferência são negligenciadas”.
O preparo físico também conta
Além da estrutura oferecida pela empresa, especialistas lembram que a condição física do praticante também influencia diretamente a segurança. Fadiga excessiva, problemas cardiovasculares, lesões prévias ou limitações físicas podem aumentar os riscos durante atividades que exigem força, resistência ou coordenação motora. “Nem sempre a pessoa precisa ser atleta, mas é importante conhecer seus limites e respeitar as orientações dos profissionais.”
5 sinais de alerta antes de iniciar uma atividade de aventura
Antes de iniciar uma atividade de aventura, vale redobrar o cuidado se houver:
– Equipamentos desgastados ou com aparência de má conservação;
– Falta de orientações de segurança;
– Pressa para iniciar a atividade;
– Equipe desorganizada;
– Ausência de conferência dos equipamentos antes do uso.