Dívidas com água e luz crescem quase 25% em maio e reforçam pressão sobre orçamento das famílias, aponta CNDL

Levantamento da CNDL e SPC Brasil mostra avanço de 24,93% nas dívidas de serviços essenciais, entre os principais aumentos do período, indicando maior comprometimento da renda das famílias com contas básicas.

 

O avanço das despesas essenciais voltou a ganhar força na composição da inadimplência das famílias brasileiras. Em maio, as dívidas relacionadas aos serviços de água e luz cresceram 24,93%, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil, figurando entre os principais aumentos registrados no período.

 

O movimento reforça a pressão sobre o orçamento doméstico em um cenário de renda ainda comprometida por juros elevados, custo de vida persistente e menor margem para reorganização financeira. Na prática, o crescimento dessas dívidas indica que as despesas básicas passaram a disputar espaço direto com outras obrigações financeiras das famílias.

 

Os dados também evidenciam uma mudança no perfil da inadimplência, com maior concentração em despesas não discricionárias, aquelas consideradas essenciais para o dia a dia, como serviços públicos. Esse tipo de endividamento tende a refletir com mais intensidade o aperto financeiro das famílias, já que envolve contas que não podem ser facilmente reduzidas ou adiadas sem impacto imediato na rotina.

 

Na avaliação do presidente da CDL Goiânia, Gustavo Faria, o avanço das dívidas em serviços essenciais sinaliza um nível mais estrutural de pressão financeira, que já afeta o comportamento de consumo.

 

“Quando contas básicas como água e energia apresentam esse ritmo de crescimento dentro da inadimplência, fica evidente que o orçamento das famílias está sob forte compressão. Isso deixa de ser um problema pontual e passa a indicar uma limitação mais estrutural da renda, com impacto direto na capacidade de consumo e na dinâmica do comércio”, afirma Gustavo Faria.

 

Segundo a CNDL, o comportamento das dívidas com serviços essenciais ajuda a explicar a manutenção da inadimplência em patamares elevados no país, atingindo uma parcela significativa da população adulta e refletindo o enfraquecimento da capacidade de equilíbrio financeiro das famílias.

 

Especialistas do setor apontam que a combinação entre renda pressionada, crédito mais caro e aumento contínuo do custo de serviços básicos cria um ambiente de maior vulnerabilidade financeira. Nesse contexto, cresce a priorização de contas essenciais em detrimento de outras despesas, ao mesmo tempo em que se reduz a capacidade de consumo, o que tende a afetar a dinâmica do varejo e a recuperação econômica no curto prazo.