Férias escolares aumentam risco de intoxicação por medicamentos em crianças; pediatra alerta para erros mais comuns
Armazenamento inadequado e cálculo da dose pela idade estão entre as falhas mais frequentes cometidas por responsáveis durante viagens e no período em que as crianças passam mais tempo em casa
Casos de intoxicação medicamentosa infantil tendem a aumentar durante as férias escolares, período em que as crianças permanecem mais tempo em casa ou viajam sob os cuidados de familiares que nem sempre conhecem seu histórico de saúde. Revisão de literatura publicada em 2023, com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), identificou quase 280 mil casos confirmados de intoxicação por medicamentos no Brasil, entre 2015 e 2021, com mais de 2 mil mortes registradas no período. Crianças de 1 a 4 anos foram as mais afetadas, respondendo por 55,55% das ocorrências, proporção superior à de qualquer outra faixa etária, incluindo adultos entre 20 e 39 anos.
Nesse cenário, o pediatra cooperado da Unimed Goiânia, Dr. Luiz Torres, destaca que o armazenamento correto dos medicamentos é a primeira medida para prevenir acidentes. “Em primeiro lugar, há que se ter muito cuidado no armazenamento seguro dos medicamentos em casa, sempre trancados, fora do alcance das crianças, evitando intoxicações acidentais”, explica.
O especialista ressalta ainda que a prescrição médica deve ser seguida rigorosamente, tanto em relação ao medicamento indicado quanto à dose recomendada. Ele orienta que sintomas como febre persistente, dores intensas, vômitos, diarreia, tosse ou falta de ar exigem contato imediato com o pediatra ou atendimento em um pronto-socorro.
Outro erro frequente, segundo o médico, é definir a dose do medicamento com base apenas na idade da criança ou seguir orientações de parentes e amigos sem formação médica. “A dosagem dos medicamentos pediátricos é calculada de acordo com o peso da criança. Basear-se apenas na idade ou na recomendação de leigos é arriscado e pode comprometer a saúde, colocando a vida da criança em risco. O correto é seguir a prescrição do pediatra”, esclarece.
O pediatra também descreve os sinais que os responsáveis devem observar para identificar uma possível reação adversa ou intoxicação. “Sintomas e sinais como tosse, falta de ar, vômito, manchas na pele e inchaço são alguns dos sinais de alerta para suspeitar de intoxicação medicamentosa nas crianças”, detalha.
Farmácia de viagem deve seguir prescrição do pediatra
Para as famílias que viajam durante o recesso escolar, Dr. Luiz Torres recomenda que a farmácia de viagem contenha apenas medicamentos previamente orientados pelo profissional que acompanha a criança. “Além dos medicamentos de uso contínuo, podem fazer parte da farmácia básica infantil antitérmicos, analgésicos, antialérgicos e medicamentos para vômito e diarreia, sempre seguindo a prescrição do pediatra”, orienta.
O especialista também faz um alerta sobre dois hábitos comuns, mas considerados perigosos. “Medicamentos prescritos para outras crianças, o reaproveitamento de remédios utilizados anteriormente e a automedicação podem provocar intoxicações ou mascarar sinais de doenças graves, atrasando o diagnóstico e o tratamento adequado”, conclui.