EUA e Irã pausam ataques enquanto diplomacia tenta conter conflito
EUA e Irã pausam ataques após dois dias de bombardeios, enquanto negociações de bastidores buscam evitar nova escalada no Oriente Médio
Os Estados Unidos e o Irã pausaram os ataques após dois dias de intensos bombardeios, enquanto negociações conduzidas nos bastidores tentam impedir uma nova escalada militar no Oriente Médio. A interrupção das operações ocorre em meio à manutenção de forças e armamentos em estado de prontidão, segundo a CNN Brasil.
Uma autoridade norte-americana afirmou que Washington tem realizado ataques de maneira deliberada, intercalando as ofensivas com períodos de pausa para abrir espaço às iniciativas diplomáticas. Apesar da redução momentânea das hostilidades, os Estados Unidos continuam mantendo uma lista de possíveis alvos iranianos como instrumento de pressão.
Autoridades ouvidas pela emissora informaram, na noite de quinta-feira (9), que as forças norte-americanas fizeram preparativos para novos ataques, caso a situação voltasse a se deteriorar. Por enquanto, porém, a orientação seria permitir que as negociações avancem antes de qualquer nova decisão militar.
No porta-aviões USS Abraham Lincoln, posicionado no Mar Arábico, equipes militares carregaram caças com armamentos, enquanto pilotos participaram de exercícios de treinamento. A movimentação indica que os Estados Unidos preservam a capacidade de retomar rapidamente as operações caso os esforços diplomáticos fracassem.
Ataques a embarcações elevaram tensão no Estreito de Ormuz
A pausa ocorreu depois de uma sequência de confrontos iniciada na terça-feira (7), quando o Irã teria atingido três embarcações comerciais em águas territoriais de Omã, nas proximidades do Estreito de Ormuz.
Uma autoridade norte-americana classificou os episódios como uma “grave violação” do memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã. O acordo havia estabelecido compromissos relacionados à interrupção do conflito e à reabertura da hidrovia estratégica para o comércio internacional.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás. Qualquer ameaça à circulação de navios na região costuma provocar preocupação nos mercados internacionais devido ao risco de interrupções no fornecimento de energia.
Como resposta aos ataques contra as embarcações, os Estados Unidos anunciaram a retomada das sanções que restringem as vendas de petróleo iraniano. A suspensão dessas punições havia sido uma das principais concessões feitas ao governo do Irã no contexto do entendimento diplomático.
A decisão norte-americana provocou reação imediata no mercado de energia. O preço do petróleo Brent avançou mais de 5% na terça-feira, refletindo o temor de que uma escalada militar pudesse comprometer o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz e reduzir a oferta global.
Estados Unidos atacaram alvos iranianos
O Comando Central dos Estados Unidos, o Centcom, informou em uma publicação na rede social X que as forças norte-americanas realizaram uma série de ataques contra alvos iranianos. Segundo o órgão, a ofensiva foi uma retaliação direta aos bombardeios contra as três embarcações comerciais.
A mídia estatal iraniana relatou que várias pessoas ficaram feridas na cidade costeira de Sirik após serem atingidas por destroços de “projéteis inimigos”. Não foram divulgados detalhes sobre o número de feridos nem sobre a extensão dos danos provocados pelos ataques.
Após a ofensiva norte-americana, o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, deixou o Iraque e retornou ao Irã. Ele estava no país vizinho para participar das cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei.
O retorno de Pezeshkian ocorreu em meio ao aumento das tensões e à necessidade de acompanhar diretamente as decisões políticas e militares adotadas por Teerã diante da retomada dos ataques dos Estados Unidos.
Irã condena retomada das sanções ao petróleo
O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a decisão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos de restabelecer as sanções sobre as exportações de petróleo iraniano.
Segundo o governo iraniano, a medida viola o memorando de entendimento negociado para encerrar o conflito. Teerã argumenta que a retomada das restrições econômicas representa um rompimento dos compromissos assumidos durante as negociações.
A pausa nos ataques não significa, até o momento, a formalização de um cessar-fogo ou de um novo acordo de paz. Estados Unidos e Irã mantêm forças mobilizadas, enquanto diplomatas trabalham para impedir que a troca de bombardeios avance para um confronto mais amplo.
A situação permanece especialmente sensível no Estreito de Ormuz, onde novos ataques contra navios comerciais poderiam afetar o transporte de petróleo e ampliar a instabilidade econômica e militar em toda a região. www.brasil247.com