Fátima Gavioli leva legado da educação de Goiás para o debate nacional
Ex-secretária de Educação de Goiás apresenta resultados de uma gestão marcada pela presença em 246 municípios, reconstrução da rede pública, valorização dos professores e defesa da revisão da LDB para garantir mais qualidade e respeito aos profissionais da educação
Durante sete anos à frente da Secretaria de Estado da Educação de Goiás, Fátima Gavioli construiu uma trajetória marcada pela presença nas escolas, pelo diálogo com gestores e professores e por uma ampla transformação na estrutura da rede pública. Única secretária de Educação de Goiás a percorrer 189 dos 246 municípios goianos — alcançando cerca de 76,5% do território estadual —, ela afirma que conhecer de perto a realidade de cada região foi essencial para definir prioridades e implementar políticas públicas mais eficientes.
Ao assumir a pasta, em 2019, Fátima encontrou uma secretaria com dificuldades financeiras e administrativas, com pendências acumuladas como: salários, transporte escolar, alimentação e contratos. A partir da reorganização da gestão, iniciou-se um ciclo de investimentos que mudou a realidade das escolas goianas. Entre os principais legados está a eliminação das chamadas “escolas de placa”, substituídas por unidades de alvenaria, modernas e estruturadas, além da reforma de centenas de escolas, construção de quadras esportivas, aquisição de equipamentos tecnológicos, distribuição de chromebooks e melhoria das condições de ensino.
Para Fátima, a transformação da educação passa, necessariamente, pela valorização de quem está dentro da sala de aula. Por isso, ao projetar sua atuação como pré-candidata a deputada federal, ela coloca a defesa dos professores como uma das principais bandeiras. Uma das propostas que pretende levar ao Congresso Nacional é a revisão da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), especialmente em relação ao calendário escolar. Segundo ela, a ampliação de 180 para 200 dias letivos, adotada nos anos 1990 sob o argumento de melhorar a aprendizagem, não trouxe necessariamente mais qualidade e contribuiu para aumentar o desgaste dos profissionais.
“A gente precisa entender que mais tempo não significa qualidade. O tempo com qualidade é que faz a diferença”, afirma Fátima, ao defender uma discussão nacional sobre as condições de trabalho dos professores e os desafios para atrair novos profissionais para a carreira docente. Para ela, o Brasil precisa repensar o modelo educacional sem perder de vista a realidade de quem ensina e de quem aprende.
Outro destaque da gestão foi o avanço da educação inclusiva em Goiás. Após a pandemia, a rede passou a enfrentar novos desafios relacionados ao aumento dos diagnósticos de neurodivergências e questões socioemocionais. Como resposta, foram ampliadas ações de apoio aos estudantes, fortalecimento da educação especial, atendimento psicossocial e criação de estruturas voltadas ao acompanhamento dos alunos. Fátima afirma que Goiás se tornou referência nacional ao mostrar que uma educação pública de qualidade é possível quando há planejamento, investimento e compromisso.
Com a experiência de quem começou a carreira como professora e chegou ao comando da maior rede de ensino do Estado, Fátima Gavioli afirma que pretende levar para Brasília a defesa de uma educação pública forte, inclusiva e valorizada. Para ela, a educação continua sendo o principal instrumento de transformação social e precisa estar no centro das decisões políticas do país.