Mauro Vieira diz que Brasil manterá diálogo, mas rejeita pressões e acusações dos Estados Unidos

Em artigo, chanceler afirma que governo continuará defendendo a soberania nacional por meio da diplomacia e critica medidas comerciais adotadas por Washington.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil continuará aberto ao diálogo com os Estados Unidos, mas não aceitará pressões ou acusações que considera infundadas. Em artigo publicado nesta sexta-feira (24), o chanceler defendeu a atuação do governo brasileiro diante das recentes medidas comerciais anunciadas por Washington e reiterou o compromisso com a defesa da soberania nacional.

Ao comentar a nova tarifa de 12,5% aplicada pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, Vieira afirmou que o Brasil seguirá buscando soluções por meio da negociação diplomática.

“Continuamos dispostos a negociar, mas não seremos intimidados por novas ameaças e falsas alegações”, escreveu o ministro.

Governo afirma que tensão comercial se intensificou em 2025

No artigo, Mauro Vieira sustenta que as divergências entre os dois países se intensificaram em julho de 2025, quando o governo dos Estados Unidos anunciou medidas comerciais contra o Brasil.

Segundo o chanceler, desde então o governo brasileiro tem atuado para preservar os interesses nacionais por meio de negociações diplomáticas, mantendo o diálogo sem abrir mão da defesa da soberania.

Para o ministro, o atual cenário envolve não apenas questões comerciais, mas também aspectos políticos e institucionais.

Chanceler cita atuação de Eduardo Bolsonaro

Vieira também atribui parte do agravamento da crise à atuação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos.

Segundo o ministro, houve participação de brasileiros em iniciativas que, na avaliação do governo, contribuíram para ampliar as pressões externas sobre o país. O chanceler menciona declarações públicas e manifestações nas redes sociais para sustentar esse entendimento.

Mais de 30 reuniões com autoridades norte-americanas

O ministro afirmou que o governo brasileiro manteve intensa agenda diplomática durante as negociações relacionadas às tarifas e à investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

De acordo com Vieira, foram realizados mais de 30 contatos e reuniões com representantes da administração norte-americana na tentativa de construir uma solução negociada para o impasse comercial.

Brasil diz que recusou propostas desequilibradas

No artigo, Mauro Vieira afirma que algumas propostas apresentadas pelos Estados Unidos extrapolavam o campo das negociações comerciais tradicionais.

Como exemplo, cita as discussões envolvendo o mercado de etanol. Segundo o chanceler, enquanto Washington defendia a redução das tarifas brasileiras sobre o combustível, não demonstrava disposição para negociar as tarifas aplicadas ao açúcar brasileiro.

Na avaliação do ministro, um eventual acordo nessas condições representaria concessões unilaterais incompatíveis com os interesses brasileiros.

Governo cita regras da OMC

Outro argumento apresentado por Vieira é que benefícios comerciais exclusivos concedidos aos Estados Unidos poderiam contrariar compromissos assumidos pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo o chanceler, além de incompatíveis com as regras multilaterais, medidas dessa natureza poderiam gerar questionamentos jurídicos por parte de setores da economia nacional.

Brasil mantém disposição para negociar

Apesar das críticas à condução das negociações pelos Estados Unidos, Mauro Vieira reafirma que o governo brasileiro continuará buscando uma solução diplomática para reduzir os impactos das novas tarifas.

Segundo o ministro, o Brasil seguirá atuando em defesa de seus interesses por meio do diálogo, da diplomacia e do respeito ao direito internacional, preservando sua posição nas relações comerciais e institucionais com Washington.