EUA criticam política migratória da Espanha após crise em Ceuta
Governo Trump atribui aumento da imigração irregular às ações de Madri, enquanto cidade espanhola no norte da África enfrenta pressão com a chegada de milhares de migrantes
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta sexta-feira (31) a política migratória da Espanha após a crise registrada em Ceuta, cidade autônoma espanhola localizada no norte da África. Em nota oficial, o Departamento de Estado afirmou que apoia a Espanha diante da pressão migratória, mas responsabilizou o governo espanhol pela escalada do fluxo de imigrantes.
Segundo o comunicado, as políticas adotadas por Madri teriam contribuído para facilitar a imigração irregular em direção ao território europeu. O governo norte-americano classificou a situação como uma grave violação da soberania espanhola e informou que avalia possíveis medidas em resposta ao episódio, além de sinalizar apoio a outros países europeus que enfrentem desafios semelhantes.
A manifestação ocorre em meio ao agravamento da crise humanitária em Ceuta. Autoridades locais informaram que cerca de 60 mil migrantes chegaram ao enclave espanhol nos últimos dias, enquanto o número de mortes durante a travessia entre o Marrocos e a cidade subiu para 34.
O presidente de Ceuta, Juan Vivas, afirmou que o volume de pessoas que cruzaram a fronteira representa aproximadamente 70% da população da cidade, evidenciando a dimensão da crise.
Diante da situação, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, visitou Ceuta para acompanhar as ações do governo e classificou o episódio como uma violação da integridade territorial do país. O governo espanhol reforçou a segurança na região, mobilizando cerca de 3 mil militares, além de efetivos da Polícia Nacional e da Guarda Civil para controlar a fronteira.
A crise também mobilizou a União Europeia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou apoio à Espanha e anunciou o envio de representantes do bloco para acompanhar a resposta à situação. A Comissão informou ainda que poderá acionar a Frontex, agência europeia responsável pela gestão das fronteiras externas, para auxiliar nas operações de controle migratório em Ceuta.
O episódio amplia a tensão em torno da política migratória europeia e reforça o debate sobre o controle das fronteiras externas da União Europeia, em um momento de crescente pressão sobre os países que servem como porta de entrada para migrantes provenientes da África.