Nova NR-1 amplia atenção aos riscos psicossociais e coloca falta de clareza nas funções entre fatores de adoecimento no trabalho
Atualização da norma reforça a necessidade de as empresas identificarem fatores relacionados à organização do trabalho que podem impactar a saúde mental dos colaboradores;
– Instituto promove palestra gratuita sobre o tema, nesta quarta-feira (05), para trabalhadores do setor de serviços
A saúde mental no ambiente de trabalho passou a ocupar um papel ainda mais estratégico na gestão das empresas. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor em maio, fatores relacionados à organização do trabalho, como a baixa clareza de papel e função, passaram a integrar formalmente os riscos psicossociais que devem ser identificados, avaliados e gerenciados pelas organizações como parte das ações de segurança e saúde ocupacional. A mudança acompanha uma realidade cada vez mais presente no mercado de trabalho.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que, em 2022, os adoecimentos relacionados à ansiedade, episódios depressivos e reações ao estresse grave e de adaptação representaram 8,35% dos adoecimentos ocupacionais registrados no país, ocupando a segunda posição entre as principais causas de afastamento, atrás apenas da dorsalgia. Entre os fatores psicossociais previstos pela NR-1 está a baixa clareza de papel e função, situação em que o trabalhador não compreende de forma objetiva quais são suas responsabilidades, limites de atuação, prioridades ou resultados esperados. Essa indefinição pode provocar insegurança, retrabalho, conflitos entre equipes, aumento da sobrecarga e impactos significativos sobre a saúde mental dos profissionais.
Segundo o engenheiro de Segurança do Trabalho do Instituto de Apoio aos Funcionários Ativos do Setor de Terceirização de Mão de Obra (Iafas), Glauco Vieira, embora muitas empresas associem saúde mental apenas a fatores individuais, a forma como o trabalho é organizado também exerce influência direta sobre o bem-estar dos colaboradores. “Quando as responsabilidades não estão bem definidas, o trabalhador passa a atuar em um ambiente de incerteza. Isso aumenta a carga psicológica do trabalho, favorece conflitos, reduz a sensação de controle sobre as atividades e pode contribuir para o desenvolvimento de estresse, ansiedade e até da síndrome de burnout. Por isso, a clareza das funções também deve ser vista como uma medida de prevenção”, explica.
Para Vieira, a baixa clareza de papel costuma surgir quando as atribuições não estão bem definidas, seja por descrições de cargos incompletas, comunicação ineficaz, mudanças frequentes nas atividades ou sobreposição de responsabilidades entre diferentes profissionais. “O trabalhador passa a conviver com dúvidas constantes sobre o que deve fazer, quais são suas prioridades e até onde vai sua autonomia. Esse cenário aumenta a probabilidade de erros, retrabalho e desgaste emocional”, afirma.
O especialista explica, ainda, que alguns sinais podem indicar que o problema já está presente nas equipes, como dúvidas frequentes sobre prioridades, necessidade constante de confirmação das atividades, sensação de estar sempre “apagando incêndios”, medo excessivo de errar, conflitos recorrentes entre colegas, sobrecarga de trabalho e queda no desempenho. “Quando essa situação se prolonga, aumenta significativamente o risco de estresse ocupacional, ansiedade e síndrome de burnout”, completa o engenheiro de segurança do trabalho.
Responsabilidades
O especialista destaca que a atualização da NR-1 amplia o papel das organizações na identificação desses fatores e reforça a importância de investir em processos mais estruturados, comunicação clara, definição de responsabilidades, acompanhamento das lideranças e monitoramento contínuo dos riscos psicossociais. Isto quer dizer que cabe às empresas identificar, avaliar e controlar fatores organizacionais que possam favorecer o adoecimento, entre eles a falta de clareza sobre papéis e responsabilidades. “A nova NR-1 amplia a compreensão de que situações como conflitos de atribuições, excesso de demandas e falta de direcionamento não devem ser vistas apenas como problemas de gestão ou comunicação. Elas também podem representar riscos ocupacionais que precisam ser identificados e prevenidos”, finaliza.
Conscientização
Para discutir esse tema e orientar empresas e trabalhadores sobre as mudanças trazidas pela NR-1, o Instituto de Apoio aos Funcionários Ativos do Setor de Terceirização de Mão de Obra (Iafas) promoverá, nesta quarta-feira (05), às 9 horas, a palestra “Baixa clareza de papel/função”. O encontro será realizado na sede do Seac/Sindesp, localizada na Rua dos Bombeiros, nº 128, Parque Amazônia, em Goiânia, e abordará os principais impactos da indefinição de responsabilidades no ambiente corporativo, além de apresentar medidas que contribuem para prevenir conflitos, reduzir o adoecimento ocupacional e promover ambientes de trabalho mais saudáveis.
Serviço
Palestra Baixa Clareza de Papel/Função – Atualização da NR-1
Data: 5 de agosto (quarta-feira)
Horário: 9 horas
Endereço: Rua dos Bombeiros, nº 128, Parque Amazônia
Inscrições gratuitas: www.iafas.org.br