Ciclone-bomba provoca destruição no Sul e coloca litoral do Sudeste em alerta

A passagem de um ciclone-bomba pelo Sul do Brasil provocou ventos superiores a 120 km/h, deixou centenas de milhares de imóveis sem energia elétrica e causou danos em dezenas de municípios. Nesta sexta-feira (7), o avanço do sistema também levou autoridades de São Paulo e do Rio de Janeiro a adotarem medidas preventivas diante da previsão de ventos intensos e ressaca no litoral.

No Rio Grande do Sul, o fenômeno atingiu pelo menos cem municípios. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), cerca de 294 mil unidades consumidoras permaneciam sem fornecimento de energia na manhã desta sexta-feira.

Em Porto Alegre, as rajadas alcançaram 120,4 km/h, conforme a Defesa Civil. O temporal provocou destelhamentos, quedas de árvores, dois desabamentos e comprometeu o sistema de abastecimento de água após a interrupção do funcionamento da Estação de Tratamento São João e de 12 estações de bombeamento. A situação pode afetar o fornecimento de água em 45 bairros da capital.

Em Pelotas, no sul do estado, ventos de até 90 km/h destelharam cerca de 200 imóveis, derrubaram árvores e interromperam os serviços de água e energia. Parte do muro do presídio regional também desabou. A prefeitura avalia decretar situação de emergência ou calamidade pública após concluir o levantamento dos prejuízos.

Na quinta-feira (6), um tornado associado a uma supercélula atingiu a cidade de Pedro Osório, provocando destelhamentos na localidade de Matarazzo. Não houve registro de feridos.

Em Montenegro, um motociclista morreu após ser atingido por uma árvore que caiu durante a tempestade. As autoridades investigam se o óbito está diretamente relacionado aos efeitos do ciclone.

Com a chegada do sistema ao Sudeste, os estados de São Paulo e Rio de Janeiro reforçaram as ações preventivas. Em Santos, no litoral paulista, rajadas de vento chegaram a 109 km/h, provocando a suspensão temporária da travessia de balsas entre Ilhabela e São Sebastião e interrompendo, por cerca de duas horas, a navegação no Porto de Santos.

Como medida de segurança, as prefeituras de Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião suspenderam as aulas da rede municipal. A Defesa Civil orientou moradores e turistas a evitarem atividades no mar devido à previsão de ondas de até três metros.

Na capital paulista e na região metropolitana, a previsão é de pancadas de chuva acompanhadas por ventos de moderados a fortes entre o fim da tarde e a noite.

No Rio de Janeiro, a Defesa Civil emitiu alerta para ventos fortes ainda durante a madrugada. O município entrou em estágio dois de atenção, o segundo em uma escala de cinco níveis de monitoramento. As redes municipal e estadual de ensino suspenderam as aulas nesta sexta-feira, medida também adotada nos municípios de Paraty e Angra dos Reis, na Costa Verde.

O ciclone-bomba é um sistema de baixa pressão que se forma quando massas de ar frio e quente se encontram, provocando uma queda acentuada da pressão atmosférica. Esse processo intensifica os ventos e favorece a ocorrência de chuvas fortes, elevando o risco de transtornos, principalmente em áreas costeiras e urbanas.