Incêndios na região de Terra Ronca e lançamento da operação Abafa

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) e o Ibama estão integrados no combate aos incêndios florestais que atingem a região da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra Geral de Goiás e o entorno do Parque Estadual de Terra Ronca (Peter), nos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás.

Os primeiros focos foram detectados no dia 10 de agosto. Estima-se que 8 mil hectares de vegetação já tenham sido atingidos.

Nesta quarta-feira, 12 de agosto, cerca de 40 profissionais especializados, entre bombeiros militares e brigadistas florestais, estão mobilizados diretamente no incidente. As equipes realizam ações de combate direto e indireto às chamas, monitoramento, reconhecimento das áreas atingidas, construção de estratégias de contenção e proteção de pontos ambientalmente sensíveis.

Semad, CBMGO e Ibama atuam juntos na força-tarefa. Os três órgãos uniram forças para ampliar a capacidade operacional de resposta aos incêndios que atingem a região.

O Estado de Goiás vai garantir às equipes envolvidas todos os meios logísticos, operacionais e materiais necessários ao enfrentamento dos incêndios florestais. A prioridade é assegurar condições adequadas de atuação aos profissionais que estão na linha de frente, com disponibilização e reforço de equipamentos, viaturas, alimentação, comunicação, apoio logístico e demais recursos necessários à proteção do Cerrado e do patrimônio ambiental goiano.

O Parque Estadual de Terra Ronca (Peter) tem aproximadamente 57 mil hectares e protege um dos mais importantes patrimônios espeleológicos do país, além de áreas de elevada relevância para a conservação da fauna, flora, recursos hídricos e demais ecossistemas do Cerrado.

Cenário climático exige atenção máxima

A Semad ressalta que o momento climático enfrentado por Goiás em 2026 é grave e exige atenção permanente. A influência de um ‘super El Niño’, associada ao período de estiagem, intensifica condições favoráveis à ocorrência e à rápida propagação de incêndios florestais.

A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, redução das chuvas e grande quantidade de vegetação seca aumenta significativamente o risco de incêndios e torna o combate mais complexo. Nessas condições, focos inicialmente pequenos podem se espalhar rapidamente, atingir grandes extensões e colocar em risco unidades de conservação, propriedades rurais, comunidades, recursos hídricos, fauna, flora e também as equipes mobilizadas para o enfrentamento das chamas.

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás já atendeu quase 5 mil ocorrências de incêndios florestais em 2026. Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ) indicam que mais de 100 mil hectares já foram atingidos pelo fogo no Estado somente neste ano.

Diante desse cenário, o Estado de Goiás vem ampliando as ações de prevenção, monitoramento, preparação e resposta, com integração entre órgãos ambientais e forças de segurança, além do reforço das estruturas destinadas ao combate aos incêndios florestais.

Operação Abafa em Terra Ronca

Em paralelo às ações de combate a incêndios, o Governo de Goiás e o Ibama realizam, nos dias 13 e 14 de agosto, a operação Abafa Terra Ronca, com foco na APA da Serra Geral de Goiás, no Parque Estadual de Terra Ronca e nas áreas de seu entorno.

O objetivo da operação é o de identificar as possíveis origens dos incêndios, coibir práticas ilegais relacionadas ao uso do fogo e responsabilizar eventuais autores de crimes ambientais.

As equipes atuarão em áreas prioritárias, com ações terrestres de fiscalização e patrulhamento, apoiadas por monitoramento por imagens de satélite, direcionando os esforços para regiões com focos ativos, recorrência de incêndios ou indícios de uso irregular do fogo.

Levantamentos preliminares apontam que alguns focos tiveram origem na Bahia e avançaram em direção ao território goiano.

Inicialmente prevista para os dias 13 e 14 de agosto de 2026, a Operação Abafa Terra Ronca poderá ser ampliada ou novamente mobilizada, conforme a evolução dos incêndios e a necessidade de reforço das ações de fiscalização.

Emergência ambiental, uso do fogo e responsabilização

Está em vigor o decreto estadual nº 10.962, de 24 de julho de 2026, que declarou situação de emergência ambiental no Estado de Goiás em razão do período de estiagem e do elevado risco de ocorrência e propagação de incêndios florestais. O decreto proíbe o uso do fogo para limpeza de solo.

Diante das atuais condições climáticas, qualquer uso irregular do fogo representa risco elevado. Um foco pode rapidamente perder o controle e provocar danos ambientais, econômicos e sociais de grandes proporções.

A Semad reforça que provocar incêndio em mata ou floresta constitui crime ambiental. O artigo 41 da Lei Federal nº 9.605/1998 prevê pena de reclusão de dois a quatro anos e multa, sem prejuízo das sanções administrativas, da responsabilização civil e da obrigação de reparação integral dos danos ambientais causados.

Na modalidade culposa, quando não há intenção de provocar o incêndio, também há responsabilização penal, com *detenção de seis meses a um ano e multa.

O Governo de Goiás continuará mantendo equipes mobilizadas, intensificando as ações de combate, prevenção, monitoramento, fiscalização e investigação das causas e responsabilidades pelos incêndios.

O alerta é claro: neste momento de elevada criticidade climática, o uso irregular do fogo coloca vidas e o patrimônio ambiental em risco. Quem provocar incêndio poderá responder criminal, administrativa e civilmente pelos danos causados. A prioridade é proteger o Cerrado, as comunidades e todos os profissionais que atuam na linha de frente do combate aos incêndios florestais.