Ministro israelense defende dezenas de mortes por noite em Gaza e expansão de assentamentos
Itamar Ben-Gvir propõe intensificação de assassinatos seletivos, ocupação do território palestino e construção de assentamentos; ministro também critica redução das operações militares
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, defendeu a realização de dezenas de “assassinatos seletivos” todas as noites na Faixa de Gaza e voltou a propor a ocupação do território com a implantação de assentamentos judaicos. As declarações foram dadas em entrevista a um podcast apresentado por Rom Braslavski e repercutidas pelo Financial Times.
Durante a entrevista, Ben-Gvir afirmou que Israel deveria realizar “de 30 a 40 assassinatos seletivos por noite” em Gaza. O ministro também empregou linguagem desumanizante ao se referir a palestinos, declarando que há pessoas no território que, segundo ele, “não merecem viver” e “nem sequer são pessoas”.
As declarações ampliam a controvérsia em torno das posições defendidas pelo integrante do governo israelense em relação à população palestina e ao futuro da Faixa de Gaza.
Ben-Gvir defende ocupação e assentamentos
O ministro voltou a defender a ocupação israelense de Gaza e a construção de assentamentos judaicos em todo o território.
“Imagino assentamentos não apenas em Gush Katif, mas em toda Gaza, além do incentivo à emigração — quanto mais, melhor”, declarou.
Gush Katif era um bloco de assentamentos israelenses localizado na Faixa de Gaza e desmantelado em 2005, quando Israel retirou seus colonos e forças permanentes do interior do território.
Ben-Gvir também afirmou que palestinos classificados por ele como “terroristas” não deveriam ter a possibilidade de deixar Gaza.
“Para os terroristas, não deveria haver emigração. Deveríamos simplesmente matá-los um por um”, afirmou.
A defesa da expansão de assentamentos em Gaza ocorre em meio ao debate internacional sobre o futuro do território palestino e às pressões diplomáticas por uma solução para o conflito.
Ministro critica redução das operações militares
Na mesma entrevista, Ben-Gvir criticou a decisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de reduzir as operações militares israelenses na Faixa de Gaza.
A medida ocorre em meio às articulações dos Estados Unidos para avançar em um plano de paz apresentado pelo presidente Donald Trump.
Ben-Gvir, uma das figuras mais radicalizadas da coalizão governista israelense, tem defendido reiteradamente a continuidade das ações militares e a retomada da presença permanente de Israel no território palestino.
Países pressionam por acordo
As declarações ocorrem em um momento de intensa movimentação diplomática em torno de Gaza.
Neste domingo (16), Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Indonésia, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão condenaram a rejeição do plano pelo governo de Netanyahu.
Representantes enviados por Trump também participaram de reuniões com mediadores no Egito, numa tentativa de avançar nas negociações e estabelecer condições para a implementação de um acordo.
Enquanto as articulações diplomáticas buscam reduzir a escalada do conflito, as declarações de Ben-Gvir reforçam as divisões dentro do próprio governo israelense sobre a condução das operações militares e sobre o futuro da Faixa de Gaza.