Exposição “Expressões”, de Siron Franco, encerra temporada histórica em Goiânia no próximo dia 31 de agosto
Mostra, que já recebeu mais de 30 mil visitantes na Vila Cultural Cora Coralina, reúne mais de 100 obras de uma das trajetórias mais importantes da arte brasileira
Após mais de três meses em cartaz e um recorde de público superior a 20 mil visitantes, a exposição “Expressões”, do artista goiano Siron Franco, chega aos seus últimos dias de visitação em Goiânia. A mostra, considerada a maior já realizada sobre a trajetória do artista, será encerrada no próximo dia 31 de agosto, na Vila Cultural Cora Coralina, no Setor Central da capital.
A exposição reúne mais de 100 obras produzidas ao longo de mais de cinco décadas de carreira e apresenta ao público um amplo panorama da produção de Siron Franco, um dos nomes mais importantes da arte contemporânea brasileira. Com entrada gratuita, a visitação ocorre diariamente, das 9h às 17h.
Ao longo do percurso expositivo, o público encontra trabalhos criados entre as décadas de 1960 e 1980, período em que o artista ganhou projeção nacional e internacional, além de obras recentes produzidas em 2025, como Imigrantes. A seleção evidencia a permanência de um olhar crítico voltado para temas sociais, históricos e humanos que atravessam a realidade brasileira.
Entre os destaques da mostra está o núcleo dedicado ao acidente com o césio-137, considerado o maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear. O espaço foi concebido com referências visuais à cápsula do material radioativo, utilizando elementos que remetem ao brilho prateado do pó e à luminosidade azul associada ao elemento. As obras abordam não apenas a tragédia em si, mas também seus desdobramentos sociais e emocionais, transformando a memória coletiva em reflexão artística.
A relação de Siron Franco com a história do césio-137 extrapola a produção artística. Após o acidente, o artista criou a série “Césio – Rua 57”, com o objetivo de arrecadar recursos para auxiliar as vítimas por meio da venda das obras. Além disso, liderou mobilizações contra o preconceito sofrido por Goiânia no período, reunindo artistas e representantes da sociedade civil em iniciativas de apoio e conscientização.
Para o idealizador da mostra, Leopoldo Veiga Jardim, o espaço dedicado ao acidente possui um significado especial para os visitantes goianos.
“Uma das questões mais comoventes desse conjunto de obras é perceber como Siron incorporou a terra de Goiás em algumas dessas telas, justamente em um momento em que o Estado era visto com desconfiança pelo restante do País, como se tudo aqui estivesse contaminado. Há um gesto profundamente simbólico nisso: transformar a dor coletiva em arte, memória e resistência. O objetivo da mostra é que o visitante não saia indiferente. É uma exposição para ser vivida com profundidade, para que as pessoas possam revisitar a nossa história e, de alguma maneira, sair dali transformadas”, afirma.
Arte, memória e denúncia social
Além do césio-137, “Expressões” apresenta uma instalação dedicada ao tema do feminicídio, cercada pela série de Madonas criada por Siron Franco entre as décadas de 1970 e 1980. As obras utilizam releituras críticas da figura da Virgem Maria para discutir violência, desigualdade e vulnerabilidade feminina, ampliando a dimensão sensorial da experiência e convidando o visitante à reflexão.
A exposição também percorre temas como memória, autoritarismo, exclusão social, desigualdade, sincretismo religioso e resistência cultural. Em vez de organizar a trajetória do artista de forma cronológica, a curadoria aproxima diferentes momentos de sua produção para evidenciar a atualidade de questões que permanecem presentes na sociedade brasileira.
Trabalhos históricos, como Arca de Noé e Pietà (1961), produzidos quando Siron tinha apenas 14 anos, dividem espaço com obras contemporâneas, revelando a coerência de uma trajetória artística marcada pela denúncia das injustiças sociais e pela construção de uma linguagem visual profundamente humanista.
Segundo Siron Franco, a proposta da exposição sempre foi promover uma experiência capaz de ampliar o repertório crítico e cultural do público.
“A nossa ideia é trazer reflexões sobre fatos que aconteceram na história e que ainda reverberam na sociedade, por meio da arte. É muito gratificante mostrar obras que têm muito a dizer sobre a cultura, a identidade e a história goiana, brasileira e mundial, além de questões sociais urgentes e necessárias”, destaca o artista.
Para Leopoldo Veiga Jardim, o sucesso de público demonstra a relevância e a atualidade da obra de Siron Franco.
“Siron não produz uma arte apenas contemplativa. Sua obra provoca, denuncia, emociona e obriga o espectador a refletir. Temas como violência, intolerância, exclusão, feminicídio, autoritarismo e desigualdade continuam absolutamente presentes na contemporaneidade. Por isso sua produção permanece tão viva e necessária. Existe também algo muito singular em sua linguagem: ele consegue unir força estética e profundidade humana de maneira muito autêntica. A obra de Siron não envelhece porque fala da condição humana”, conclui.
Serviço
Exposição: Expressões, de Siron Franco
Encerramento: 31 de agosto de 2026
Local: Vila Cultural Cora Coralina
Endereço: Praça Cívica, Setor Central, Goiânia (GO)
Horário de visitação: diariamente, das 9h às 17h
Entrada: gratuita.





