Maratona realizada em Goiânia reúne mais de 140 participantes para discutir saúde mental na era digital

Evento promovido pelo Instituto Olhos da Alma Sã reuniu pesquisadores e profissionais de diferentes regiões do país durante três dias; gravações estão disponíveis gratuitamente no YouTube

A relação entre tecnologia, comportamento e saúde mental esteve no centro de uma maratona nacional realizada pelo Instituto Olhos da Alma Sã, em Goiânia, entre os dias 7 a 9 de setembro. Com o tema “O desespero na era digital”, o encontro reuniu mais de 140 participantes e contou com pesquisadores e profissionais de saúde de diferentes regiões do Brasil.

Realizado durante o Setembro Amarelo, o evento ampliou a discussão sobre saúde mental para além da prevenção ao suicídio, abordando transformações que afetam a vida cotidiana, os vínculos sociais e a maneira como as pessoas se relacionam consigo mesmas e com o mundo.

Ao longo dos três dias, a programação reuniu diferentes perspectivas sobre questões contemporâneas relacionadas à saúde mental, entre elas solidão, uso excessivo das telas, relações virtuais, inteligência artificial, cancelamento nas redes sociais, adoecimento no ambiente de trabalho, espiritualidade e enfraquecimento dos vínculos.

Para o psicólogo e analista junguiano Jorge Monteiro, presidente e fundador do Instituto Olhos da Alma Sã, a diversidade de abordagens foi um dos diferenciais da maratona.
“O interessante é que as visões vão sendo complementares numa análise mais conjuntural da nossa realidade.”

Segundo Jorge, os debates também ajudaram a identificar caminhos diante das transformações vividas atualmente.
“Um evento como esse mostra muito da fatia do que nós estamos vivendo hoje na sociedade. Ele aponta caminhos.”

Tecnologia, comportamento e saúde mental
Entre os temas que atravessaram as discussões esteve a relação cada vez mais intensa das pessoas com a tecnologia. Para Jorge, o desafio não está simplesmente no uso dos recursos digitais, mas na forma como eles passam a ocupar espaço na vida cotidiana.

“O problema não é você usar a tecnologia, mas não jogar toda a sua vida nisso. Não deixar a alienação tomar conta.”

A discussão também abordou os impactos do isolamento, da redução dos encontros presenciais e do enfraquecimento dos vínculos sociais.
Na avaliação de Jorge, compreender essas mudanças exige olhar para diferentes dimensões da realidade contemporânea, sem reduzir o sofrimento mental a uma única causa.

Conteúdo continua disponível
Além das discussões realizadas ao vivo, a maratona deixou um acervo de conteúdos que pode continuar sendo acessado depois do encerramento do evento. As gravações dos três dias já estão disponíveis gratuitamente no YouTube, permitindo que profissionais, estudantes e demais interessados tenham acesso aos debates.

A proposta, segundo Jorge, foi reunir diferentes perspectivas e colocar esse conhecimento à disposição de um público amplo.
“É uma grande honra poder ser o agente mobilizador de tantos pesquisadores, tantos profissionais de saúde, gente tão qualificada, que vem de várias regiões do Brasil.”

A participação de pessoas de diferentes partes do país também marcou a realização da maratona. Para o Instituto, a experiência reforça a importância de criar espaços de diálogo sobre saúde mental que possam alcançar públicos para além dos limites locais.
Mais do que concentrar a discussão no período do setembro Amarelo, a iniciativa buscou estimular uma reflexão sobre os modos de viver, conviver e lidar com as transformações provocadas pela tecnologia e pelas mudanças nas relações sociais.

Assista às gravações da maratona
7 de setembro de 2026

8 de setembro de 2026

9 de setembro de 2026