Um estudo conduzido por pesquisadores da Unifesp e publicado na revista Biological
Conservation revelou que os bancos de rodolitos no litoral brasileiro funcionam como hotspots de biodiversidade, abrigando entre 0,2% e 1% de todas as espécies marinhas conhecidas no planeta.
Formados por aglomerados de algas calcárias vivas que lembram pedras rosadas, esses ecossistemas servem de abrigo e berçário para diversas formas de vida. A análise focou no Banco dos Abrolhos (BA) e na Ilha da Queimada Grande (SP).
Principais Descobertas do Estudo
Alta Biodiversidade Registrada: Por meio de análises visuais e da técnica de metabarcoding (sequenciamento genético em massa), foram identificadas mais de 450 espécies conhecidas e até 1.837 assinaturas genéticas distintas (ESVs).
Novas Espécies e Registros Inéditos: A pesquisa detectou quatro potenciais novas espécies de algas, além de 21 gêneros e diversos invertebrados (como esponjas e ácaros marinhos) observados pela primeira vez no oceano Atlântico ou na costa brasileira.
Potencial de “Banco de Sementes”: As estruturas porosas dos rodolitos abrigam formas microscópicas, larvas e fases reprodutivas de diversos organismos, funcionando como reservatórios genéticos vitais.
Desafios de Catalogação e Ameaças
Apesar do alto valor ecológico e do potencial para a bioprospecção (descoberta de novas moléculas para remédios e biotecnologia), esses ambientes enfrentam riscos severos:
Lacuna Científica: Das cerca de 17 mil espécies marinhas brasileiras, apenas 3.700 possuem sequências de DNA registradas em bancos de dados globais, o que dificulta a identificação completa do material coletado.
Impacto Humano: O Brasil é um dos poucos países que ainda permite a mineração de rodolitos para extração de calcário agrícola. A exploração de petróleo e o risco de vazamentos também ameaçam a integridade dessas formações.
Os pesquisadores reforçam a necessidade de ampliar os investimentos na área para garantir a conservação dessas estruturas antes que espécies inéditas sejam extintas.