Lula descarta pesquisa e aposta em conquistar votos para vencer Flávio Bolsonaro

Presidente afirma estar convicto da vitória no segundo turno e diz que pretende reverter a vantagem do adversário apontada pelo Datafolha até 25 de outubro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (8) que está confiante na vitória no segundo turno das eleições presidenciais, apesar da vantagem numérica do senador Flávio Bolsonaro (PL) na primeira pesquisa Datafolha divulgada após a votação de domingo (4). O levantamento indica 52% dos votos válidos para o candidato do PL, contra 48% para o petista.

Questionado por jornalistas no quartel-general de sua campanha, Lula minimizou o resultado da pesquisa e afirmou que sua estratégia será ampliar o apoio eleitoral nos próximos dias. O presidente destacou que tem até 25 de outubro para conquistar novos votos e fortalecer sua candidatura.

“Não, eu não avalio pesquisa. Não trabalho assim. Eu trabalho sabendo que tenho mais voto que o Flávio [Bolsonaro] para ganhar as eleições. Eu tenho 17 dias para isso e a minha obrigação é trabalhar, ganhar esses votos”,
declarou.

Em seguida, o presidente reforçou a aposta na mobilização eleitoral como caminho para reverter o cenário. “Eu vou ganhar voto. O único jeito de você ganhar uma eleição é você ganhando voto. Eu estou convicto que eu vou ganhar as eleições”, afirmou.

Datafolha mostra disputa acirrada

Na pesquisa estimulada, Flávio Bolsonaro aparece com 49% das intenções de voto, enquanto Lula registra 45%. Outros 5% dos entrevistados afirmaram que pretendem votar em branco ou anular o voto, e 1% não soube responder.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Considerado esse intervalo, os candidatos podem se aproximar de um empate técnico, embora o resultado central do levantamento mostre vantagem para o senador.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 1,87 ponto percentual. Os votos válidos são aqueles destinados aos candidatos, excluídos os brancos e nulos.

Campanha petista discute mudanças na estratégia

O resultado do primeiro turno levou integrantes da campanha de Lula a promover reuniões para avaliar o desempenho eleitoral e rever as ações para a etapa final da disputa. Entre os pontos discutidos estão a comunicação com os eleitores, a mobilização política e a busca por apoio de segmentos que não votaram no presidente na primeira votação.

As articulações também envolvem o fortalecimento do núcleo político da campanha, com a participação do ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE), do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA), e do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT).

Ao comentar as mudanças na coordenação, Lula negou ter determinado diretamente a reformulação. “A mudança na coordenação não é minha, querido. Eu sou candidato”, afirmou.

A campanha petista busca ampliar sua capacidade de articulação e conquistar eleitores indecisos ou que optaram por outros candidatos no primeiro turno, em uma disputa que promete ser acirrada até a votação decisiva.

Lula espera apoio de Hugo Motta

Lula também comentou a reunião realizada na quinta-feira com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O encontro ocorreu um dia depois de o Republicanos anunciar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Apesar do posicionamento oficial do partido, Motta já havia demonstrado disposição favorável ao diálogo com o presidente. Ao ser questionado sobre a conversa, Lula afirmou acreditar que o deputado contribuirá para sua vitória.

“Ele vai me ajudar a ganhar [as eleições]”, declarou o presidente.