PT vê onda pró-Lula após Datafolha
Campanha de Lula considera que o momento é de virada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam à reta final do segundo turno empatados numericamente no Datafolha, com 50% dos votos válidos cada.
Segundo a Folha de S.Paulo, o resultado levou petistas a defender a existência de uma mobilização crescente pela reeleição. Nesse cenário, o debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23), ganha importância nas avaliações sobre o desfecho da disputa.
Realizado entre terça-feira (20) e quinta-feira (22), o levantamento do Datafolha tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Nos votos totais, Flávio registra 47%, e Lula, 46%. Os eleitores que pretendem votar em branco ou anular somam 5%, enquanto 2% estão indecisos. Os votos válidos, utilizados pela Justiça Eleitoral para apresentar o resultado, excluem brancos e nulos.
Na pesquisa anterior, Flávio tinha 51% dos votos válidos. A passagem para 50% ocorre dentro da margem de erro, assim como as variações na avaliação do governo e na rejeição aos dois candidatos. Os números, portanto, indicam uma disputa equilibrada, embora as campanhas apresentem interpretações diferentes sobre o movimento do eleitorado.
Entre os aliados de Lula, a leitura favorável se apoia principalmente nos indicadores da gestão federal. A aprovação passou de 48% para 49%, enquanto a desaprovação variou de 50% para 48%. A parcela que considera o governo ótimo ou bom foi de 35% para 36%; a avaliação ruim ou péssima recuou de 41% para 39%; e a classificação regular passou de 23% para 24%.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, avaliou positivamente o conjunto dos resultados e afirmou que “o clima é de virada”. Ele também destacou os números de rejeição: a de Flávio oscilou de 44% para 46%, enquanto a de Lula passou de 46% para 45%. Todas essas mudanças ficaram dentro da margem de erro.
Vice-presidente do PT, Jilmar Tatto associou a melhora numérica na avaliação do governo à redução da vantagem que Flávio tinha nos votos válidos. Para ele, os atos de rua em apoio ao presidente e a atuação da campanha na internet contribuíram para o empate.
“A gente está ganhando nas redes, que era onde eles sempre ganhavam”, declarou Tatto.
Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, atribuiu maior peso à avaliação dos eleitores sobre as consequências de uma eventual vitória do adversário. Segundo ele, o fator central seria “a percepção da sociedade do risco que seria o [Flávio] Bolsonaro”.
“Está tendo uma visão clara das pessoas que não votaram ou que estavam indecisas de que a eleição de Bolsonaro é um risco muito grande para o país. Essas pessoas estão começando a se posicionar”, afirmou.
De acordo com a Folha, integrantes do PT enxergam uma onda favorável a Lula nos últimos dias de campanha. Nessa interpretação, um desempenho sem grandes desgastes no debate da Globo poderia ajudar o presidente a transformar o empate em vitória.
Os bolsonaristas, por sua vez, apostam na capacidade de mobilização da direita. www.brasil247.com