Quem disse que uma baleia não pode dançar balé? Livro infantil provoca reflexão sobre preconceito
Publicado de forma independente pela escritora Roberta Moysés Assumpção, “A Baleia Bailarina” aborda padrões de beleza e aceitação das diferenças e foi finalista do Prêmio Jabuti 2026
Quem disse que o corpo precisa seguir um padrão para realizar um sonho? Essa é uma das reflexões despertadas por “A Baleia Bailarina”, livro infantil da escritora Roberta Moysés Assumpção. Publicada de forma independente, a obra usa a imagem inusitada de uma baleia que dança balé para abordar o preconceito com o corpo e a importância de respeitar as diferenças.
O livro ganhou projeção nacional ao chegar à final do Prêmio Jabuti 2026, uma das principais premiações literárias do Brasil, na categoria Livro Infantil. A obra concorreu com outros quatro títulos, mas não conquistou o prêmio, entregue no dia 27 de outubro. A presença entre os finalistas, no entanto, marcou um momento importante na trajetória da autora e deu visibilidade à publicação independente.
“Dessa vez, a baleia não levou o prêmio, mas chegar à final já foi uma conquista e tanto”, afirmou Roberta que esteve presente na cerimônia de premiação em São Paulo.
Por trás da história está uma experiência pessoal de Roberta. Quando criança, em Belo Horizonte, ela estudava balé clássico e conta que era deixada no fundo da sala, enquanto outras alunas eram escolhidas para ocupar a primeira fila. A aparência física influenciava a maneira como era tratada naquele ambiente, mas não apagou seu amor pela dança.
“Eu não era a ‘bonitinha’ que a professora preferia para a primeira fila; eu era a que ficava no fundo. E, ainda assim, eu dançava bem, com ritmo e alma, porque para mim a dança era pura liberdade, não um padrão a ser medido”, relembra a escritora.
Anos depois, a lembrança ganhou novos significados e se transformou em inspiração literária. A ideia surgiu durante um exercício de escrita criativa proposto pela escritora Ana Holanda, que incentivava os participantes a resgatar memórias da infância. Ao revisitar essa fase, Roberta encontrou na literatura uma forma de dar outro sentido à experiência.
“O livro nasceu disso: da certeza de que a nossa essência sempre dança mais forte do que qualquer expectativa alheia”, afirma.
A proposta de “A Baleia Bailarina” abre espaço para conversas sobre autoestima, padrões estéticos e aceitação desde a infância. Ao levar o tema para o universo infantil, a obra convida os leitores a refletirem sobre os julgamentos que podem limitar pessoas e sonhos.
Da publicação independente ao reconhecimento literário
A chegada à final do Jabuti foi um dos reconhecimentos obtidos por Roberta em 2026. A escritora também foi finalista do International Latino Book Awards com dois títulos: “A Baleia Bailarina”, na categoria Melhor Livro Infantil em Português, e “A Fantástica História de Epifania”, na categoria Melhor Livro Young Adult em Português.
Com quatro livros publicados, Roberta transita entre a literatura infantil e a infantojuvenil, combinando fantasia e humor para explorar sentimentos e desafios que fazem parte do crescimento. Sua bibliografia inclui ainda “A Forma da Saudade” e “Manual de Sobrevivência ao Fim do Mundo para Garotas que Têm Medo de Baratas”, que ainda será lançado neste ano pela Editora de Cultura.
Além da carreira literária, a autora atua como gestora de uma indústria. Sua trajetória reúne a rotina empresarial e a escrita de histórias que partem de experiências humanas para abordar questões como saudade, medo, identidade, amizade e amadurecimento.
Sobre a autora
Nascida em Belo Horizonte, Roberta Moysés Assumpção é escritora de livros infantis e infantojuvenis e gestora de uma indústria. Em suas obras, mistura fantasia e humor para explorar os pequenos e grandes desafios da infância e da adolescência, criando histórias que estimulam reflexões sobre sentimentos, diferenças e crescimento.