Enem 2026 também será usado para avaliar a qualidade do ensino médio

Em entrevista ao programa Sem Censura, nesta quinta (5), o ministro Leonardo Barchini explicou como o Enem avaliará o ensino médio e abordou o acesso à universidade, o Pé-de-Meia e as mudanças previstas para 2028

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, participou, nesta quinta-feira, 5 de novembro, do programa Sem Censura, da TV Brasil. Durante a entrevista, o ministro abordou as novidades do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, que passa a integrar o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), além de iniciativas para ampliar o acesso e a permanência dos estudantes na educação. Também foram discutidos os resultados do programa Pé-de-Meia e os estudos para possíveis mudanças no formato do exame a partir de 2028.

Com mais de 5 milhões de inscrições confirmadas, o Enem 2026 será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro. A edição deste ano mantém as regras e a estrutura das provas anteriores, mas incorpora uma nova função: utilizar os resultados para produzir um diagnóstico mais amplo da aprendizagem dos estudantes que concluem o ensino médio.

Enem também avaliará a qualidade do ensino médio – Ao explicar a integração do exame ao Saeb, Barchini afirmou que a mudança permitirá ao Ministério da Educação (MEC) e às redes estaduais de ensino ter um retrato mais completo da aprendizagem dos estudantes. Até então, a avaliação realizada no último ano do ensino médio era feita por meio de uma prova específica, que será substituída pelo Enem.

“Agora nós vamos adotar o Enem, vamos fazer uma equivalência desses exames para adotar a mesma série histórica e utilizar o Enem como um exame que também vai avaliar a educação básica brasileira. E com uma novidade também: a Prova Brasil só avaliava português e matemática, o Enem avalia todas as competências necessárias para o ensino médio”, explicou.

Segundo o ministro, os resultados poderão orientar a elaboração de políticas públicas e ajudar as escolas a identificarem os pontos que precisam de melhorias. A avaliação também permitirá reconhecer experiências bem-sucedidas e apoiar as redes de ensino na busca por melhores resultados.

Barchini esclareceu que a nova utilização não altera a participação dos candidatos nem o aproveitamento das notas para ingresso no ensino superior. “Essa prova não tem nenhuma mudança estrutural diferente da prova do ano passado. O que a gente fez foi, internamente, equalizar essa prova com a Prova Brasil, que a gente usava para medir a qualidade e a proficiência dos estudantes no ensino médio”, afirmou.

Enem amplia oportunidades de acesso à universidade – Durante a entrevista, o ministro Leonardo Barchini também falou sobre a importância do exame como política pública de democratização do acesso à educação superior. Por meio de uma única prova, os participantes podem concorrer a vagas em instituições públicas e privadas, utilizando a nota em diferentes processos seletivos.

Na ocasião, o ministro citou o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece mais de 275 mil vagas em universidades e institutos federais e em outras instituições públicas; o Programa Universidade para Todos (Prouni), com mais de 590 mil bolsas; e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), com mais de 100 mil oportunidades de financiamento.

“É por isso que a gente mudou radicalmente, a partir de 2009, quando começou o Enem, a forma de acesso, mas, principalmente, a possibilidade de você ter mais equidade no acesso ao ensino superior. O vestibular tradicional, como a gente fez, era algo muito excludente”, avaliou.

O ministro também lembrou que o exame passou a oferecer uma possibilidade de certificação do ensino médio para pessoas que não concluíram essa etapa da educação básica. Além disso, apresentou o aplicativo gratuito MEC Enem, desenvolvido para apoiar a preparação dos estudantes, com exercícios de edições anteriores, aulas interativas e recursos de inteligência artificial para auxiliar na avaliação de redações.

Pé-de-Meia contribui para reduzir abandono escolar – Outro assunto abordado foi o programa Pé-de-Meia, iniciativa de incentivo à permanência e à conclusão do ensino médio público. Barchini apresentou os resultados da política, que contribuiu para reduzir em 61% o abandono escolar e em 62% a reprovação. A distorção idade-série, indicador que mede o atraso escolar, também apresentou redução de 28%.

O ministro explicou que o programa prevê o pagamento de R$ 200 mensais aos estudantes que atendem aos critérios de participação, incluindo frequência mínima de 80% nas aulas. Ao final do ano letivo, aqueles que são aprovados também recebem um incentivo de R$ 1 mil, acumulado em uma poupança.

O fato de a gente apoiar esse estudante financeiramente com esses R$ 200 por mês fez com que esse estudante evadisse muito menos, porque ele podia, além de ajudar em casa, também usar esse dinheiro para se preparar para o Enem, por exemplo”, afirmou.
Durante a conversa, também foi abordada a perspectiva de ampliar o programa para todos os estudantes do ensino médio da rede pública a partir de 2027. Atualmente, o benefício é direcionado a estudantes que atendem aos critérios de renda estabelecidos pela política.

Para o ministro, além do apoio financeiro, o programa contribui para aproximar as escolas das informações sobre a frequência dos estudantes e identificar situações de abandono escolar. Ele também defendeu a importância de incentivar os jovens a concluírem os estudos e a buscarem oportunidades na educação superior.

Mudanças no Enem a partir de 2028 – Questionado sobre possíveis alterações no formato do exame, Barchini esclareceu que não haverá mudanças na edição de 2026. O MEC, por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), estuda alternativas para a prova de 2028, especialmente em relação à avaliação da escrita e da compreensão de textos.

Entre as possibilidades em análise estão a aplicação de questões discursivas e a produção de textos menores, em diferentes etapas da prova. As propostas ainda estão em estudo e não foram apresentadas como mudanças definitivas.

É muito importante que a gente diga para os nossos jovens que estão ansiosos que, em 2026, não mudou nada. É a mesma prova, as mesmas diretrizes de 2025”, reforçou o ministro.
Atendimento especializado e orientações para o Enem – A participação no programa também abordou a inclusão de estudantes que necessitam de atendimento especializado durante a aplicação do exame. O ministro explicou que os participantes podem solicitar os recursos de acessibilidade no momento da inscrição, de acordo com suas necessidades.

Neste ano, uma das novidades é a possibilidade de acompanhantes familiares auxiliarem estudantes com determinadas condições, inclusive em situações que envolvam o deslocamento ao banheiro durante a prova.

Barchini também orientou os participantes a consultarem antecipadamente o Cartão de Confirmação de Inscrição, disponível na Página do Participante, para verificar o endereço e a sala de aplicação. Os portões serão abertos ao meio-dia e fechados às 13h, no horário de Brasília.

Assessoria de Comunicação Social do MEC