AEAGO avalia Plano Safra 2026/2027 e destaca impactos para Goiás, produtores rurais e consumidores
AEAGO avalia Plano Safra 2026/2027 e destaca impactos para Goiás, produtores rurais e consumidores
Entidade afirma que volume recorde de recursos é positivo, mas ressalta que a efetividade do programa dependerá da execução das medidas, do acesso ao crédito e da segurança jurídica para o produtor rural.
O Plano Safra 2026/2027, anunciado pelo Governo Federal com R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial, representa um marco para o financiamento da agropecuária brasileira. Em Goiás, um dos principais polos produtores de alimentos do país, as medidas anunciadas têm potencial para impulsionar investimentos, fortalecer a produção agropecuária e movimentar a economia. No entanto, para a Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (AEAGO), os resultados dependerão da capacidade de transformar os recursos anunciados em crédito efetivamente acessível aos produtores rurais.
Na avaliação da entidade, o Plano Safra chega em um momento estratégico para o setor, trazendo avanços importantes, como o aumento dos recursos destinados ao custeio, à comercialização e aos investimentos, além de incentivos para inovação, modernização da produção e práticas sustentáveis. Ao mesmo tempo, a AEAGO chama atenção para desafios que poderão influenciar diretamente a efetividade da política pública ao longo da safra.
Segundo o presidente da AEAGO, engenheiro agrônomo Fernando Barnabé, o Plano Safra não impacta apenas quem produz no campo, mas toda a sociedade.
“O crédito rural é um dos principais instrumentos para garantir que o produtor tenha condições de investir, produzir e enfrentar os desafios da atividade agropecuária. Quando esse processo funciona adequadamente, toda a cadeia é beneficiada. Isso significa mais segurança para quem produz, fortalecimento da economia, geração de empregos e melhores condições para o abastecimento de alimentos que chegam diariamente à mesa da população.”
A entidade destaca que Goiás possui posição estratégica na agropecuária nacional, sendo um dos maiores produtores brasileiros de grãos, carnes e leite. Por isso, políticas públicas voltadas ao financiamento da produção rural têm reflexos diretos no desenvolvimento econômico do estado, na competitividade do agronegócio e na capacidade de manter o abastecimento interno e ampliar as exportações.
Entre os pontos considerados positivos, a AEAGO destaca a ampliação dos recursos destinados aos investimentos e o fortalecimento de programas voltados à modernização da produção, irrigação, armazenagem, inovação tecnológica e agricultura de baixo carbono. A entidade também considera importante o incentivo à adoção de práticas sustentáveis por meio de condições diferenciadas de financiamento.
Um dos aspectos que merecem atenção, segundo a avaliação da AEAGO, é a aplicação dos benefícios relacionados ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). O Plano Safra prevê condições mais favoráveis de crédito para produtores com o cadastro regular e validado. Entretanto, a entidade observa que, em diversos estados, a lentidão na análise e validação do CAR pelos órgãos ambientais pode impedir que produtores que já cumpriram suas obrigações ambientais tenham acesso aos incentivos previstos. Na avaliação da associação, essa situação reduz o alcance da medida e compromete um dos objetivos da política de estímulo à sustentabilidade.
A AEAGO também considera essencial garantir recursos suficientes para a equalização das taxas de juros ao longo de toda a safra, evitando interrupções nas contratações de crédito rural. Outro ponto destacado é a necessidade de fortalecer o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), diante do aumento da frequência de eventos climáticos extremos, além de aperfeiçoar mecanismos que permitam maior agilidade na renegociação de dívidas de produtores afetados por adversidades climáticas.
Para a entidade, embora o Plano Safra 2026/2027 represente um avanço ao anunciar o maior volume de recursos da história, seu sucesso será medido pela efetividade da execução das medidas anunciadas. A disponibilidade do crédito, a manutenção das linhas com juros equalizados, a previsibilidade orçamentária e a segurança jurídica serão fatores determinantes para que os investimentos se transformem em mais produção, geração de renda e desenvolvimento para Goiás e para o Brasil.
Na avaliação da AEAGO, fortalecer o agronegócio significa fortalecer toda a cadeia produtiva. Em um estado como Goiás, onde a agropecuária tem papel decisivo na economia, políticas públicas eficientes contribuem para ampliar a produção, gerar empregos, movimentar diversos segmentos econômicos e garantir maior segurança no abastecimento de alimentos para a população.