Dia Mundial do Rádio: tradição, inovação e diálogo com a sociedade

Por Fernando Oliveira Paulino

Celebrado em 13 de fevereiro, o Dia Mundial do Rádio convida à reflexão sobre uma das tecnologias de informação e comunicação mais presentes na história e na vida cotidiana das pessoas. A data é uma homenagem à primeira emissão de um programa da Rádio das Nações Unidas, em 1946.

Em pouco mais de um século de existência, o rádio tem acompanhado transformações sociais, políticas e culturais profundas, sendo responsável por informar, educar e conectar populações em diferentes contextos.

No Brasil, sua trajetória está diretamente associada à democratização do acesso à informação, especialmente em regiões onde outros meios chegaram mais tarde ou ainda enfrentam limitações de infraestrutura.

Mais do que um veículo do passado, o rádio permanece atual e necessário. Sua capacidade de alcance, mobilidade e adaptação o torna um aliado fundamental em situações de emergência, em ações educativas e na promoção de direitos. Em comunidades rurais, povos tradicionais e periferias urbanas, por exemplo, o rádio continua sendo uma ponte entre poder público e a sociedade, contribuindo para a circulação de saberes, a valorização cultural e o fortalecimento da cidadania.

No entanto, compreender o rádio hoje exige ampliar o olhar. Ele não deve ser visto apenas como um meio de transmissão linear, mas como uma plataforma de produção, distribuição e acesso à informação. A convergência digital transformou profundamente sua lógica de funcionamento.

Podcasts, rádios online, transmissões híbridas e mídias sociais ampliaram suas possibilidades, permitindo que conteúdos sejam produzidos de forma colaborativa e acessados em múltiplos dispositivos. O rádio contemporâneo não está restrito ao aparelho tradicional: ele circula em aplicativos, plataformas digitais e ambientes interativos, acompanhando os hábitos e demandas de diferentes públicos.

Nesse cenário, a comunicação radiofônica desenvolve ainda melhor suas atividades quando incorpora canais de interação, diálogo e participação. O público deixa de ser apenas receptor e passa a atuar como produtor, colaborador e mediador de conteúdos.

A dimensão participativa fortalece a confiança, a diversidade de vozes e a construção coletiva do conhecimento. Ao abrir espaço para escuta ativa, o rádio contribui para a formação crítica, para o combate à desinformação e para o exercício democrático.

As universidades públicas têm papel estratégico nesse processo. Por meio de rádios universitárias, projetos de extensão, laboratórios e iniciativas de educação midiática, é possível aproximar pesquisa, ensino e sociedade. O rádio se torna, assim, um espaço de experimentação, inovação e formação cidadã, conectando estudantes, pesquisadores, técnicos e comunidades em torno de temas relevantes ligados à memória, à atualidade e aos tempos vindouros.

Celebrar o Dia Mundial do Rádio, portanto, é reconhecer sua história e, ao mesmo tempo, reafirmar seu futuro. Em um contexto marcado por mudanças tecnológicas e desafios informacionais, o rádio continua sendo um território de encontro, diálogo e construção de sentidos compartilhados. Investir em sua renovação, em sua pluralidade e em sua dimensão participativa é fortalecer a democracia e ampliar o acesso à informação de qualidade para todos.

Fernando Oliveira Paulino é professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. Pesquisador CNPq, membro do Conselho Superior da FAPDF e presidente da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (ALAIC).