Versões brasileiras de músicas em inglês do disco Com-verSom de Fred Le Blue ganham grafites comemorativos de 10 anos feitos por I.A.
Versões brasileiras de músicas em inglês do disco Com-verSom de Fred Le Blue ganham grafites comemorativos de 10 anos feitos por I.A.
Em 2016, ano das Olimpíadas no Brasil, o compositor Fred Le Blue buscou inspiração no cancioneiro rockeiro cantado em inglês, para propor um intercâmbio cultural através da música. Dessa.forma, nasceram as releituras musicais em português de clássicos de músicas de bandas como Rolling Stones, Dream Theather, Cranberries, Collective Soul, Keane e Panic at the Disco.
10 anos depois, o projeto ganha cores com a produção de 6 imagens de arte urbana para mostrar o poder transoceânico, universal e atemporal da música, para além da poesia das letras em idioma estrangeira. Unindo a linguagem interterritorial do grafite com a da música, Fred Le Blue tenta mostra que arte é sempre soberana nos seus propósitos, usando todos os tipos de recursos linguísticos e intertextuais para se expressar e alcançar mais mentes:
“Ressoar é a capacidade de pulsar através do cosmo e dos ambientes para que o eco da expressividade ganhe corpo e relevância através da ressignificação subjetiva de outrem. Um cover de clássicos do rock e um grafite de astros desse estilo, como sempre vemos nas grandes cidades, é sempre uma forma de fazer a música e os músicos assumirem uma ubiquidade cotidiana criadora de identidade e pertencimento coletivo crescente”.
Segundo Le Blue, esses recursos de catarse e terapia através da música colaboram para harmonizar uma ecologia mental mais sustentável, por retroalimentar com graça o caos psicológico pós-moderno, além de criar paisagens musical-visuais e imaginários sociourbanos, que fazem da cidade uma coletividade mais humana e gregário.
Processo e sentido criativo das versões de música em inglês em português
Num país em que mal se fala a língua culta com primazia, o que explica a comunicabilidade da música inglesa como sendo parte da nossa memória afetiva? Que atire a primeira pedra quem nunca fez um cover ou nunca desejou ter feito uma determinada música de outro compositor? Partindo dessa premissa, de que formas se pode trabalhar uma canção originalmente composta em idioma estrangeiro, ou, pelo menos, incompreensível para grande maioria das pessoas para ela ser mais valorizada ao mesmo tempo que o público brasileiro que não domina o inglês?
Multisituado entre o imperialismo e a troca cultural, a invasão da cultura linguística inglesa nos demais países é tão grande quanto a do dólar na economia, mas, a partir dessa conjuntura, quais caminhos possíveis de criar pontes de diálogo mais horizontal com esse movimento de importação quase que a-dialógico e unidirecional? A partir do contexto global cosmopolita bi-língue antropofágico paulistano, se tenta responder à questão lançada pela linguista culturalista indiana Appadurai “Pode a periferia produzir cultura”?
O projeto e conceito “Com-Versão” permite um “grande diálogo” com obras musicais de idioma inglês em prol de suscitar um ambiente de trocas culturais menos imperialistas, sem ser, no entanto, meramente, antropofágico. O que se propõe é experienciar uma alteridade assistida, como já ocorre nas técnicas de tradução/dublagem/legenda diegética, para casos de maneirismos e provérbios regionais, que necessitam de um equivalente linguístico externo ao contexto linguístico do idioma original, para fazer sentido para públicos estrangeiros.
Ao contrário dessas licenças poéticas pontuais, o legado vulgarizado da Antropofagia no Brasil, no entanto, no limite, tem atuado para que as versões musicais em português de músicas estrangeiras sejam pouco ou nada fidedignos poética e musicalmente cantando. Nesse sentido, Fred Le Blue defende que arte de fazer versões é uma alquimia mais meticulosa do que criar canções do zero:
“O desafio da versão é seguir a literalidade da poesia textual (e visual dos clips originais da música), exceto quando a imagem não tiver sentido universal, mas sem abrir mão da fonética, pois as rimas da versão devem ter o mesmo som da canção no idioma original. Justamente para evitar a sensação de ser melodias distintas, como ocorre com as versões de bossa-nova de Tom Jobim em inglês. Por outro lado, o estilo musical escolhido para cada versão, no caso, do método Com-verSom veio, justamente, do mergulho poético na mensagem da obra”.
“Em alguns casos a sonoridade ficou similar como o de “Wild Horse”, dos Rolling Stones, em que o folk americano, virou moda sertaneja com viola caipira, mas em outros, bem inusitado, como o de “The World that I Know” do Collective Soul, “Dreams” do The Cranberries, “Silent Man” do Dream Theather e “Somewhere Only We Know” do Keane, que viraram, respectivamente, World Music, música circense, New Age e música de ninar.
Com-verSom permite, destarte, um arrefecimento da dependência cultural cega, afônica e semiletrada de produtos culturais estrangeiros. Mas também uma valorização da cultura local brasileira, visto que a com-versão crítica e criativa dessas canções locais-universais, doravante, se permite “patriá-las”, porém sem desterritorializar do background nativo de criação das mesmas.
Essa forma de releitura crítica contribui também para autoafirmar o idioma português como potencial celeiro de canções pop, inclusive, de alcance internacional também, para além do habitual MPB e samba, já muito consolidado no país e no mundo. Além disso, estimula, por meio de uma estratégia pedagógica construtivista complementar de ensino de idiomas, a partir da universalidade das músicas e o cor-local linguístico e poético dos ouvintes, uma imersão no idioma estrangeiro afim de torná-lo menos refratário.
Minibio Fred Le Blue
Começou sua carreira como baterista de bandas de rock como Acid Jam, 062, Nascoxa e Pai do Mato. Foi premiado no Festival SESI MPB 2003-04 com a sua canção “Quem Sabe?”, interpretada pela banda RG. No Rio de Janeiro, a partir de 2007, integrou como compositor o movimento Samba na Fonte, tendo se apresentado como baterista também no underground carioca em espaços como Rio Art Hostel, Jazz do Alemão, Museu da República e Mercado São José.
Em 2010 lança no Cine Facha o seu primeiro disco autoral com a banda ficcional The Fourmigas, a óperarock visual “VERNISOUND: FormigáVWea Mundo Novo”, tendo como música de trabalho, a música “569: oniblue da paz”. Em 2012 realiza, com o evento multicultural de arte-reciclagem “Gari Universo: a estética do lixo sobre artereciclagem, desenvolvimento sustentável e inclusão social. Já em São Paulo, lança em 2017 o EP “Com-Versom: Voou pelo Som” com releituras musicais em português de clássicos do rock internacional (Rolling Stones, Dream Theather, Cranberries, Collective Soul, Keane e Panic at the Disco).
Em 2021, em meio à pandemia cria a banda-selo Artetetos do Pequí para lançar seu trabalho de músicas “arteteturais” em Goiás “Lua & Ana” e “Suíte dos Prcadores, este último inspirada no imaginário estético de Dorival Caymmi. Fred Le Blue desenvolve desde 2019 um trabalho como idealizador e produtor cultural do Movimento Artetetura e Humanismo, e Editora Multimídia Brasílha Teimosa, atuando também como autor de livros acadêmicos, paradidáticos e ficcionais, documentários, musicais e WEB séries de educação política patrimonial e socioambiental. Para 2026, prepara o lançamento da Riografia dos Los Hermanos e um disco sobre cultura, saberes e religião de plantas medicinais da Amazônia, fazend9 uma interface entre música e sustentabilidade, que vai se chamar “KASHINAΨAHAUSCA: Hinário do Chá de São Miguel”.
https://www.instagram.com/arteteturaehumanismo?igsh=MWtpOGxxb3g0ZWRocQ==