Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para ampliar alianças e PL vê cenário eleitoral mais desafiador
A decisão da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, de permanecer neutra na disputa presidencial representou um revés para a estratégia política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nos bastidores do Partido Liberal, dirigentes avaliam que a ausência de alianças nacionais pode dificultar a campanha e reduzir o espaço de articulação da legenda no início da corrida eleitoral.
Segundo informações publicadas por O Globo, integrantes da cúpula do PL consideram que a condução das negociações não alcançou os resultados esperados. A avaliação interna é de que o partido deverá disputar a eleição apoiado principalmente por sua própria estrutura política e partidária.
União Progressista opta pela neutralidade
A definição ocorreu após o presidente do PP, Ciro Nogueira, comunicar a Flávio Bolsonaro que o partido não apoiará formalmente nenhuma candidatura à Presidência. Como PP e União Brasil integram a mesma federação, a decisão se estende às duas legendas.
Nos bastidores, essa reunião era considerada a última tentativa do PL de conquistar o apoio da federação. Durante as conversas, a campanha chegou a oferecer a vaga de vice na chapa à senadora Tereza Cristina (PP-MS), que não aceitou o convite.
Dirigentes apontam falhas na articulação
Integrantes do PL, sob reserva, avaliam que a campanha priorizou a estratégia eleitoral, mas não conseguiu consolidar uma base ampla de diálogo com lideranças partidárias e representantes do Centrão.
Entre as críticas está a percepção de que faltou uma interlocução política mais constante ao longo dos últimos meses, o que teria dificultado a construção de alianças para a disputa presidencial.
Episódios aumentaram o desgaste político
Outro fator citado por dirigentes do partido foi o desgaste provocado pela repercussão de episódios envolvendo o presidente do PP, Ciro Nogueira, durante investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Aliados de Ciro interpretaram como insuficiente o posicionamento público adotado por Flávio Bolsonaro na ocasião, o que teria contribuído para o distanciamento entre os grupos políticos.
Posteriormente, a divulgação de mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro também repercutiu entre lideranças partidárias, ampliando as dificuldades nas negociações políticas, segundo interlocutores ouvidos pela imprensa.
Lula reúne maior número de apoios
Enquanto o PL enfrenta dificuldades para ampliar sua base de alianças, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consolidou o apoio dos principais partidos do campo da esquerda, além de contar com um cenário em que legendas de centro, como União Progressista e MDB, optaram pela neutralidade.
Na avaliação de integrantes do PL, essa configuração beneficia a campanha do atual presidente ao impedir que esses partidos integrem formalmente a coligação da oposição.
Apesar desse cenário, o Partido Liberal continuará dispondo de uma das maiores estruturas partidárias do país, o que garante tempo significativo de propaganda eleitoral em rádio e televisão durante a campanha.
Republicanos e Podemos também mantêm distância
As negociações com outras legendas também não avançaram como esperado. Interlocutores envolvidos nas conversas afirmam que o Republicanos permanece distante de um acordo nacional com o PL.
A possibilidade de indicação da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, para compor a chapa como candidata à vice-presidência ainda enfrenta resistência dentro do partido.
O Podemos também tem sinalizado preferência pela neutralidade na disputa presidencial, reduzindo as possibilidades de ampliação da coligação do PL.
Campanha deve seguir com estrutura própria
Com o encerramento das principais negociações partidárias, a tendência é que o PL inicie oficialmente a campanha presidencial apoiado principalmente em sua própria estrutura política, recursos partidários e tempo de propaganda eleitoral, enquanto busca fortalecer sua estratégia ao longo da disputa. www.brasil247.com